SÃO PAULO - Os pacotes de ajuda dos governos ao setor financeiro ainda não registram os efeitos previstos. Em vez de dar ânimo e gerar confiança nos mercado, as últimas medidas de resgate aos bancos geraram especulações em torno de futuras estatizações das instituições financeiras em pior situação, além de provocar dúvidas com relação à sobrevivência das que não forem estatizadas.

Na última segunda-feira, por exemplo, quando o governo inglês anunciou um socorro de mais 100 bilhões de libras (US$ 147 bilhões) para estimular o crédito na economia e deu liberdade ao Banco da Inglaterra de comprar os ativos dos bancos em dificuldade, os mercados se agitaram ainda mais.

Um dos maiores beneficiários desta ajuda de Gordon Brown foi o Royal Bank Of Scotland, que no mesmo dia divulgou prejuízo de US$ 32,4 bilhões a US$ 41 bilhões em 2008. A atitude do governo inglês de aumentar sua participação no banco para 70%, para conter as perdas do RBS gerou uma reação inversa nos mercados. Naquele pregão, as ações do banco caíram 67%. Hoje, o papel recupera parte das perdas e sobe 18% em Londres
O Banco Barclays segue o mesmo caminho. As ações da instituição, que já perderam 62% neste mês, caíram ontem pelo sétimo dia seguido em Londres, atingindo desvalorização de 35%. O pessimismo vem das especulações de que o banco precise receber mais ajuda do governo e possa ser estatizado. Hoje, as ações perdem mais 11%.

O governo francês também tenta melhorar a situação do setor financeiro de seu país por meio de injeção de capitais. Ontem, foi anunciada a liberação de mais 10,5 bilhões de euros (US$ 13,6 bilhões) para os bancos franceses conseguirem se reerguer, com a condição de que eles não darão bônus aos seus diretores. A decisão veio no mesmo dia em que o banco Société Générale afirmou que ainda espera ter lucros de 2 bilhões de euros em 2008. No entanto, as ações da instituição sofreram desvalorização de 14% no pregão de ontem.

Esforços similares aos ingleses e franceses foram feitos pelo governo dos EUA para limitar as perdas dos bancos norte-americanos. Na última semana, o Tesouro deu ao Bank of America US$ 138 bilhões de ajuda para que sua aquisição do Merrill Lynch pudesse ser completada. Mesmo assim, ações do banco recuaram 28,9% ontem, pressionadas ainda mais pelos rumores de que a instituição precise de mais US$ 80 bilhões para conter as perdas com seus ativos podres.

As especulações de que os EUA planejam colocar em prática um novo resgate, que poderia envolver a criação de um banco estatal para comprar ativos podres dos piores bancos, provoca inseguranças nos investidores. Dentro do quadro dos bancos que podem ser socorridos desta maneira, o Citigroup também tem destaque. Depois de divulgar prejuízo de US$ 8,3 bilhões no quarto trimestre do ano passado, a companhia decidiu se dividir, gerando assim, duas unidades operacionais. E nada tem conseguido frear a queda de seus papéis, que na sessão de ontem caíram 20%, chegando a US$ 3 por ação.

(Vanessa Dezem | Valor Online com agências internacionais)

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