SÃO PAULO - O ciclo de aperto monetário iniciado em abril pelo Banco Central para conter os efeitos da combinação de demanda doméstica aquecida e choque das commodities sobre a inflação já começou a surtir resultados. A boa notícia é que o processo está funcionando e já estamos vendo os sinais de que a inflação está convergindo para o centro da meta, afirmou o presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles, durante palestra nesta sexta-feira.

O objetivo do BC é trazer a inflação de volta ao centro da meta, de 4,5%, já em 2009.

Segundo Meirelles, a ação do BC contribuiu para que o Brasil tivesse um desempenho melhor do que a média internacional diante de uma conjunção perigosa de economia interna aquecida, crise de crédito nos Estados Unidos e repique nos preços das matérias-primas.

"Os Estados Unidos pegaram uma gripe e nós, apenas um resfriado. O Brasil está sendo considerado um país de maior resistência", acrescentou.

A meta de inflação para 2008, 2009 e 2010 é de 4,5%, com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza a política de metas do governo, subiu 0,53% em julho, mas acumula em 12 meses um avanço de 6,37%.

De acordo com a última pesquisa do BC com instituições financeiras, a expectativa de inflação para 2008 está em 6,34%, bem próxima do teto da meta, de 6,5%. Para 2009, no entanto, a expectativa está em 5%.

Nos próximos dias 9 e 10 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne para definir a nova taxa básica de juro, hoje em 13%.

Crescimento

Para o presidente do BC, um dos maiores desafios do País hoje é prover mão-de-obra para promover o crescimento sustentado. "Existe hoje grande demanda por profissionais qualificados", disse.

Meirelles mencionou ainda que a produção industrial do País passou a crescer de forma importante a partir de 2003, e que todos esses fatores juntos aumentam o nível de empregabilidade brasileira. Meirelles ressaltou ainda a expansão, num ritmo elevado, da produção de bens de capitais. Isso, segundo ele, demonstra que os empresários acreditam na continuidade do crescimento do País. "Além disso, o investimento está crescendo mais que o PIB, o que significa que o Brasil está investindo em seu futuro", avaliou.

O presidente do BC citou ainda a melhora na distribuição de renda, com uma forte migração da população para a classe média, e enfatizou que a política de acúmulo e reservas internacionais tornou o País menos vulnerável externamente e credor líquido. "O Brasil está tendo a possibilidade de experimentar algo que boa parte do mundo já tinha experimentado antes", afirmou.

(Com informações da Agência Estado Valor Online e Reuters)

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