Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Apelo ecológico resgata bucha vegetal

A bucha vegetal, presença tradicional no banho dos brasileiros, quer ganhar mais espaço no mercado. O mineiro Sylvio Lanna, dono de uma pequena empresa que fabrica vários produtos tendo a bucha vegetal como matéria-prima, pretende aproveitar esses tempos de preocupação ambiental e de busca por produtos com apelo ecológico para massificar seu uso.

Agência Estado |

Segundo ele, além de 100% biodegradável, ela pode trazer vantagens também sociais e econômicas, como promover a agricultura familiar no País.

Apesar de soar estranho, já há até um projeto de lei no Congresso regulamentando o uso da bucha no País. O projeto 3179/08, de autoria do deputado José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG), prevê que os órgãos públicos dêem preferência à bucha vegetal nas compras e invistam em pesquisa para aumentar a produtividade. Em Ponte Nova (MG), cidade natal de Lanna, a bucha já faz parte da lei orgânica: desde 2005, ela tem prioridade nas compras públicas.

"Os dermatologistas e as revistas femininas foram responsáveis por colocar a bucha vegetal em cena novamente, por conta das propriedades esfoliantes e apelo ecológico", diz Lanna. "Mas a bucha pode servir para muitas outras coisas." A empresa dele, a Buchas Sirius, fabrica nove produtos de higiene e limpeza usando as buchas vegetais.

O projeto de Lanna é resgatar o uso da bucha vegetal para outros usos além do banho. Segundo ele, já foram catalogados mais de 30 diferentes usos para as buchas - entre eles, na fabricação de papel, como enchimento de bancos automotivos e como isolante térmico e acústico. Na limpeza geral, podem substituir esponjas sintéticas e lãs de aço. "Por que precisamos usar espuma petroquímica se temos uma esponja natural, que já vem pronta?", diz.

Lanna é um cineasta que, após ter seu longa-metragem "Sagrada Família" banido pela censura nos anos 1970, passou parte da década exilado no exterior. Na Dinamarca, um dos países onde morou, teve contato com projetos de desenvolvimento agrícola sustentável. Anos depois, em 1999, ao herdar do pai um sítio em Ponte Nova, resolveu testar esses modelos e começou plantando bucha vegetal e urucum.

Hoje, coordena um sistema que alia a produção ao treinamento de agricultores familiares na região, em parceria com quatro entidades locais. "Nosso objetivo é que o cultivo da bucha vegetal se firme como vocação econômica para a região", diz. Em sua empreitada, já conseguiu o apoio de empresas privadas. A Samarco Mineração investiu RS 200 mil no projeto. Outros parceiros são a Novelis, da área de alumínio, e a prefeitura de Outro Preto (MG).

Sua marca Bucha Sirius hoje é comercializada nas lojas da rede Pão de Açúcar, e ele negocia uma parceria para fornecer para a rede de hotéis Sol Meliá. Outro cliente é o grupo Sodexho, que tem utilizado as buchas em seus restaurantes industriais em Minas Gerais.

Para massificar o uso da bucha, porém, o empreendedor terá de superar um entrave: para o consumidor final, o preço ainda é o triplo das esponjas sintéticas, por causa do processo de produção artesanal. "Precisamos ganhar escala", diz.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG