Provavelmente atingido por um raio na noite de terça-feira, o transformador 1 da subestação de Tijuco Preto, em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, permaneceu fora de operação durante toda a quarta-feira, obrigando o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) a alterar o fluxo de energia no País. A Usina de Itaipu gerou abaixo do programado oficialmente, por causa dos limites de transmissão da energia para os principais mercados consumidores.

Hidrelétricas e térmicas nacionais tiveram de compensar o prejuízo.

O transformador 1 de Tijuco Preto, que converte energia recebida de Itaipu em 745 quilovolts (kV) para energia em 500 kV saiu do sistema na noite de terça, logo após a queda das linhas de Itaipu - segundo o governo, por causa de descargas elétricas em Itaberá. De acordo com o ONS, porém, o equipamento de Mogi das Cruzes demorou a ser religado por causa de um para-raio danificado, o que indica a incidência de raios também naquela região.

Procurada pelo Estado, Furnas, que gere o sistema de transmissão, informou que o equipamento voltou a operar ontem. Por meio de Assessoria de Imprensa, a empresa diz que não é possível confirmar a queda de um raio no transformador e que seu desligamento não teve relação com o apagão que atingiu 18 Estados na terça-feira à noite.

Segundo o boletim preliminar de operação do ONS, a ausência do equipamento no dia seguinte ao apagão provocou grandes mudanças no fluxo de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN). Pela programação original, Itaipu deveria inserir 10.964 megawatts (MW) médios no sistema, mas, diante das limitações de transmissão, o volume foi de 7.625 MW médios.

As usinas nucleares de Angra dos Reis, que também caíram na terça à noite, só inseriram 235 MW médios, ante uma previsão de 1.698 MW médios. As duas unidades só foram religadas no final da tarde de quarta-feira.

COMPENSAÇÃO
Para suprir a falta das usinas de Angra e a redução na geração de Itaipu, o ONS ligou térmicas a gás natural e ampliou a geração hidrelétrica no Nordeste e no Sul do País. As primeiras geraram 351 MW médios a mais do que os 1.006 MW médios programados. Já a geração hidráulica nacional foi de 43.747 MW médios, contra um volume projetado anteriormente de 42.247 MW médios.

Segundo o boletim do ONS, o consumo de energia no País na quarta-feira foi menor do que o previsto: 53.096 MW médios verificados contra 55.981 MW médios programados.

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