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Aos 14, Real reencontra inimiga

O Plano Real - pacote responsável por trazer estabilidade econômica ao País e acabar com a alta desenfreada de preços - completa hoje 14 anos em clima de preocupação: a inflação, velha inimiga, volta a incomodar.

Agência Estado |

 

"Desde o início do Plano Real, essa é a primeira vez que a população se vê diante de uma inflação que não dá sinais de que vá parar de subir no curto prazo. Embora a alta de preços tenha sido iniciada pelos alimentos, ela já começa a se espalhar. E em um ritmo veloz", declara Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em junho, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA (usado pelo governo para a meta da inflação), registrou alta de 0,9% em apenas 30 dias. E em 12 meses, a taxa já alcançou o patamar de 5,89% - número superior à meta do governo para 2008, estipulada inicialmente em 4,5%.

O índice de difusão da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que mede a abrangência da inflação, também traz más notícias. Ele mostra que a alta de preços já atingiu 70% dos itens analisados pela pesquisa.

Além dos alimentos, o setor de serviços e os produtos de higiene também começam a figurar na lista de vilões. "No meio do ano, ainda teremos reajuste de tarifas públicas, como energia, água e luz, o que pode complicar ainda mais as coisas", analisa Márcio Nakane, economista da Fipe.

Sinal amarelo

A situação ainda está bem longe da hiperinflação de quatro dígitos do período pré-Plano Real. Naquela época, os preços acumulavam um reajuste de nada menos que 4.922,60% em 12 meses. Somente nos 30 dias de junho de 1994, que antecedeu a chegada da nova moeda, a inflação chegou a 47,43%.

Mas há dois pontos no cenário atual que preocupam. O primeiro é o fato de ser uma inflação que, como no passado, pesa muito mais no bolso dos pobres. "Antes do Plano Real, a inflação até ajudava os mais ricos a lucrarem com as correções monetárias", afirma Eulina Nunes, coordenadora do índice de inflação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Porém, os mais pobres, como eram forçados a gastar todo o salário antes de o mês acabar, perdiam poder de compra a cada dia."

Hoje, a população de baixa renda também é a mais atingida por se tratar de uma inflação concentrada nos alimentos. "O grupo alimentação compromete uma parcela muito grande do orçamento das famílias pobres. Por isso, uma inflação que encarece a comida tem um caráter muito perverso", diz Nakane, da Fipe. "A classe média sente a dor no bolso. Mas os pobres sentem o vazio no estômago mesmo."

O outro ponto preocupante é a falta de controle que o governo exerce sobre esta alta de preços. "Em 1994, o Plano Real foi remédio que bastou para aplacar a inflação", diz Paulo Picchetti, economista da FGV. "Agora, como trata-se de uma inflação mundial, puxada pelo aumento da demanda dos alimentos em todo o globo, fica mais difícil implementar medidas contra a alta."

Na opinião de Pichetti, isso não significa que o governo não tenha nada a fazer. "É preciso agir sobre o outro componente da inflação brasileira: o aquecimento da economia doméstica." Subir os juros e conter os gastos públicos é a receita indicada pelos especialistas para frear o consumo no Brasil.

Mas, embora necessária, a medida também trará conseqüências negativas para o consumidor. "Com juros mais altos e menos investimentos do governo, os empréstimos vão ficar mais caros e o Brasil não conseguirá gerar tantos empregos como tem feito nos últimos tempos", declara Nakane, da Fipe. "Mas é o preço que temos que pagar para combater a alta de preços."

O último relatório divulgado pelo Banco Central prevê que a inflação acumulada nos últimos 12 meses atinja seu valor máximo no terceiro trimestre do ano, chegando a 6,3%. Depois, ela deve encerrar 2008 em 6%. "Mas a estabilização do índice não significa que os preços vão baixar. Eles vão ficar altos como estão, mas apenas deixarão de continuar a subir", enfatiza Picchetti.

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