SÃO PAULO - Está proibida no Brasil a entrada e comercialização, em todo território nacional, de produtos alimentícios chineses que contenham leite, segundo medida divulgada ela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A proibição vale para qualquer matéria-prima chinesa de origem láctea e outros alimentos produzidos na China ou importados do país que contenham o ingrediente.

Nos últimos meses, mais de 40 mil pessoas adoeceram devido à ingestão de leite chinês contaminado com a substância química melamina, que em testes de qualidade aumenta o teor de proteína do produto.

A medida é preventiva. Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o Brasil não importa leite, derivados e produtos lácteos (não processados) da China. O alho é o produto do agronegócio proveniente da China mais comprado pelo Brasil (57 toneladas no ano passado).

" Apesar de o Ministério da Agricultura garantir que o Brasil não mantém comércio bilateral de produtos lácteos com a China, a ação da Agência previne a entrada do alimento contaminado por meio de outros países " , explica Denise Resende, gerente geral de alimentos da Anvisa.

De acordo o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, dos US$ 14 bilhões em produtos que o país importa do parceiro oriental por ano, US$ 173 milhões são itens alimentícios diversos. " Os produtos industrializados alimentícios representam menos de 0,5% do total importado " , diz Kevin Tang, diretor da Câmara de Comércio Brasil-China.

Entre os produtos alimentícios processados industrialmente vindos da China para cá, os maiores volumes são de pasta de cacau, chocolates e preparados alimentícios à base de chocolate, além de massas, gomas de mascar e condimentos. " Apesar de ser uma situação compreensível, a Anvisa foi rigorosa de mais " , diz Tang. " A agência usou um míssil para matar uma mosca " , afirma.

(Lílian Cunha | Valor Econômico)

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