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O antiinflamatório Prexige (lumiracoxibe) de 100 mg, do Laboratório Novartis, está proibido em todo o País após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) cassar ontem o registro do medicamento. Já a apresentação de 400 mg ficará suspensa por 90 dias.

Na última sexta-feira, o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS) já havia interditado o produto.

O total de reações adversas registradas no Brasil chegou a 1.265, ou 35% de todas as ocorrências notificadas no mundo, segundo relatório do governo federal que justificou a cassação do registro. As notificações superam em 51,8% as informadas em balanço anunciado anteriormente pelo governo, que contabilizava 609 ocorrências. Entre os efeitos colaterais graves estão hemorragias, hepatites, pancreatite e doenças cardiovasculares.

A decisão da agência ocorre quase um ano depois de as agências internacionais proibirem o medicamento. Desde agosto do ano passado, países da União Européia, Canadá e Argentina vetaram a droga. Ao todo, 36 países proibiram a venda por cauda dos riscos. Até ontem, o Brasil era uma das 7 nações que ainda mantinham a vigência da autorização do medicamento.

Em nota, a Anvisa justificou que só não seguiu a postura internacional para a interdição antes porque o perfil das vítimas estrangeiras era diferente do das vítimas brasileiras. Desde então, providências como alteração da bula e restrição dos pacientes foram tomadas, mas a notificação de reações não cessou.

Ainda segundo a agência, de janeiro de 2007 a abril de 2008 houve um aumento significativo no número de reações hepáticas notificadas. Em janeiro de 2007, eram 16; em agosto do mesmo ano o número passou para 93 e saltou para 211 em abril de 2008. No mesmo mês, mais uma agravante: 40% dos 85 casos notificados eram graves.

Tal situação obrigou a Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme) e o grupo interno da Farmacovigilância da Anvisa a emitir pareceres recomendando a interdição do Prexige. Ontem, por unanimidade, o grupo colegiado da agência decidiu oficializar a proibição.

Alternativas

O infectologista Esper Kallás, do Hospital Sírio-Libanês, explica que há inúmeras famílias de antiinflamatórios. "Cada uma atua em um momento diferente da inflamação." O Prexige não é o primeiro remédio do grupo dos inibidores seletivos da enzima Cox-2 a sofrer restrições de comercialização. Em 2004, o Vioxx, da mesma família, foi retirado do mercado. Estudos mostraram que ele aumentava os riscos de acidentes vasculares.

Segundo a nota da Anvisa, "existem no mercado brasileiro alternativas, com perfil de eficácia e segurança mais bem definido, para todas as indicações do Prexige". A agência aconselha os consumidores a procurar um médico para realizar a substituição.

Em nota, a Novartis afirmou que tem convicção da segurança do medicamento mas, atendendo à determinação, está suspendendo definitivamente a venda da apresentação de 100 mg e por 90 dias a comercialização da apresentação de 400 mg do Prexige.

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