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O fluxo de dólares para o Brasil disparou dias antes do anúncio da taxação de 2% para o capital estrangeiro. Dados divulgados ontem pelo Banco Central mostram que US$ 6,76 bilhões ingressaram no País na terceira semana de outubro, em apenas quatro dias.

O valor correspondeu a 64% de todo o resultado do mês. Entre os dias 13 e 16, o País recebeu mais dólares que o acumulado de junho, julho, agosto e setembro, quando a cifra totalizou US$ 6,66 bilhões. O dinheiro tem ingressado principalmente para investimentos financeiros e produtivos.

O governo já tinha conhecimento desses números quando anunciou, na segunda-feira, que a entrada de capital estrangeiro para aplicações em renda fixa e variável passaria a ser taxada com 2% de IOF. Na semana que antecedeu a decisão, o País recebeu, na média, US$ 1,69 bilhão por dia em transferências do exterior. O valor diário foi maior que todo o acumulado de setembro, que teve fluxo positivo de US$ 1,36 bilhão. Na comparação da terceira semana de outubro com as duas anteriores, a entrada diária cresceu expressivos 217%.

Mais uma vez, o ingresso de dólares foi liderado pelas operações para aplicação em ações e títulos - transações afetadas pela taxação do IOF - e pelo investimento produtivo, que permanece isento do tributo. Dos recursos que ingressaram na semana passada, US$ 5,64 bilhões foram destinados a esse conjunto de operações. As ligadas ao comércio exterior foram responsáveis por uma parcela menor, de US$ 1,12 bilhão.

"Nesse período, o ingresso de dólares foi bastante diversificado, com um número expressivo de operações para compra de ações e um bom volume para renda fixa. Há, ainda, o investimento produtivo. O único segmento que ainda não contribui de forma plena é o comércio exterior", diz o diretor de câmbio da Fair Corretora, Mário Battistel. Ele observa que os números da semana passada ainda podem ter sido influenciados pelo lançamento de ações do Santander. Battistel opina que grandes investidores podem ter se financiado em reais para a compra dos papéis e, agora, estaria havendo transferência de dólares para pagar a dívida.

ACUMULADO
No acumulado de outubro até o dia 16, o fluxo cambial total está positivo em US$ 10,48 bilhões. Mesmo com a nova alíquota do IOF, analistas apostam que a entrada de dólares vai continuar.

Além do grande interesse estrangeiro pelo País, há perspectiva de que exportadores tragam parte dos dólares obtidos com vendas em outros países e estão depositados em contas no exterior. Os dados do Banco Central não são precisos, mas haveria até US$ 20 bilhões de exportadores parados à espera de uma cotação mais alta do dólar para retornar ao Brasil.

Com o forte ingresso de moeda estrangeira, o BC mantém a estratégia de comprar dólares para reforçar as reservas internacionais. Em outubro, até o dia 16, essas aquisições aumentaram as reservas em US$ 5,977 bilhões - 72% a mais que o montante adquirido em todo o mês de setembro. Apenas na terceira semana de outubro, o impacto dessas intervenções somou US$ 594 milhões.

Desde que as compras diárias foram retomadas, em 8 de maio, a autoridade monetária conseguiu retirar US$ 20,24 bilhões do mercado cambial.

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