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Ante a crise, a Rússia parte para uma desvalorização do rublo

A Rússia, após ter gasto dezenas de bilhões de dólares para sustentar sua moeda ante a crise financeira, flexibilizou sua estratégia nesta terça-feira, deixando o rublo ceder um pouco, uma tática que os analistas acompanham com ceticismo.

AFP |

O rublo cedeu cerca de 1%, hoje, em relação à cesta de moedas euro-dólar que serve de principal referência no país, ultrapassando um patamar que não havia atingido há meses: 30,69 rublos. Para os comentaristas, é uma prova cabal de que o Banco Central russo (BCR) modificou sua política.

Assim, no seu entender, o BCR teria abandonado o patamar de 30,4 rublos para adotar o de 30,7 rublos, o que corresponde de fato a uma desvalorização, em meio a fortes pressões sofridas atualmente pela moeda.

A decisão do BCR não representa surpresa, uma vez que seu presidente, Sergueï Ignatiev, havia suavizado o terreno na véspera.

"Não excluo um aumento da flexibilidade da taxa de câmbio, vendo, talvez, nas condições atuais, uma certa tendência ao enfraquecimento do rublo face a divisas estrangeiras", disse.

Até então, vários líderes políticos russos se sucederam para assegurar a uma população sempre desconfiada, dez anos após a grande crise de 1998, que a moeda não seria desvalorizada.

Ulrich Leuchtmann, analista do Commerzbank, explica essa reviravolta no fato de que a Rússia pagou "muito caro" a relativa estabilidade de sua divisa desde o início da crise, intervindo no mercado de câmbio em condições adversas (Bolsa e cotações do petróleo em queda).

Segundo ele, o BCR já teria gasto 70 bilhões de dólares para defender o teto de 30,4 rublos.

Outros criticaram a decisão do Banco Central. Para Derek Halpenny do Bank of Tokyo-Mitsubishi, a medida pode se revelar "contraproducente e provocar novas e mais fortes pressões especulativas, com os investidores farejando o perigo".

O jornal de negócios Vedomosti destaca na edição de hoje que os clientes do banco público Sberbank retiraram 80 bilhões de rublos de suas contas durante o mês de outubro, fazendo com que o estabelecimento registrasse seu pior mês desde a crise de 1998.

ahe/vl/sd

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