O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, descartou a possibilidade de a crise econômica internacional afastar investidores tanto da 10ª Rodada de Licitações, que ocorre no dia 18 de dezembro, quanto do desenvolvimento das áreas já concedidas. Essa crise é conjuntural e não deverá atrapalhar o plano estratégico de empresas que programam seus investimentos pensando num futuro de dez anos, disse, após participar da primeira audiência pública de detalhamento das áreas que serão ofertadas no leilão.

A audiência teve a presença de cerca de 120 representantes da indústria do petróleo. Além de especialistas, consultores e advogados do setor, estavam presentes executivos das principais companhias que atuam no País, como Petrobrás, Chevron, El Paso, Exxon e Norse. Nenhum participante comentou, no entanto, a atratividade da rodada, que foi criticada por causa da ausência de blocos offshore (localizados no mar).

Patrícia Padral, executiva da Chevron, revelou que os geólogos da companhia estão avaliando as áreas ofertadas. Apesar de não participar de nenhuma concessão em terra no Brasil, ela lembrou que a Chevron explora outras áreas onshore em diversos países. Para o diretor-geral da ANP, "a empresa que não entrar nessa rodada é que estará perdendo".

"O Brasil só tende a ganhar, porque haverá mais espaço para as empresas brasileiras de pequeno e médio portes participarem", disse. Os números do leilão, porém, não indicam um porte elevado para essa rodada. Os bônus de assinatura para os 130 blocos em terra que serão licitados variam entre R$ 61 mil e R$ 480 mil e prevêem arrecadação total de R$ 240 milhões, caso as áreas sejam arrematadas pelo bônus mínimo. O valor equivale a um único bônus proposto pela ANP para um bloco da 9ª Rodada, que, em decisão do Conselho Nacional de Política Energética, foi retirado por estar localizado perto de Tupi.

Segundo o diretor-geral, a opção de não incluir blocos marítimos nesse leilão se deve à indefinição dos limites da camada pré-sal. Segundo ele, existem cálculos que extrapolam a extensão divulgada e outros estudos que indicam a necessidade de redução dos cálculos iniciais de 160 mil para 120 mil quilômetros quadrados. "Como não há limite certo e ainda estamos no meio das discussões da Comissão Interministerial que vai definir o novo marco regulatório, é melhor deixar toda área marítima fora da rodada", disse.

De acordo com Lima, que participa da comissão, uma única proposta deverá ser levada ao presidente da República e não mais cinco opções, como estava sendo estudado. "Temos de dar segurança ao presidente ao apontar qual o melhor modelo a ser adotado", disse. Segundo ele, a proposta será apresentada "tão logo o segundo turno se encerre". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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