A mineradora Anglo American anunciou ontem um grande processo de reestruturação, que inclui a redução de 25% dos custos de pessoal e a venda de ativos considerados não estratégicos, alguns deles no Brasil. A empresa vai rever ainda sua gestão, criando sete unidades de negócios com sedes em diferentes países.

Segundo comunicado distribuído ao mercado, o objetivo é melhorar a eficiência das operações.

No início de 2008, a Anglo American ampliou suas operações no Brasil com a compra, por US$ 5,5 bilhões, do Sistema Minas-Rio, de produção de minério de ferro, do grupo MMX, de Eike Batista. A empresa é sócia de Batista ainda no sistema de escoamento da produção para o porto do Açu, no norte fluminense, chamado de LLX Minas-Rio. Além disso, tem operações em platina, níquel, fosfato e nióbio.

O plano de reestruturação foi anunciado uma semana depois de a Xstrata anunciar ter desistido de propor a fusão com a Anglo. A companhia registrou uma queda de 30% no lucro no primeiro semestre de 2009. A Anglo já vinha tomando medidas para reduzir os custos, como o corte de pessoal e venda de ativos. Até julho, foram demitidas mais de 15 mil pessoas de um total de 19 mil projetado para o ano. A empresa saiu dos negócios de ouro, açúcar e alumínio.

O novo plano prevê economia de US$ 120 milhões por ano com corte de pessoal. A Anglo American passará a ser organizada com base em suas commodities e regiões geográficas principais: platina ficará na África do Sul, cobre no Chile, níquel no Brasil, carvão metalúrgico na Austrália e carvão térmico na África do Sul. As operações de minério de ferro serão divididas entre a África do Sul, onde a companhia possui a subsidiária Kumba Iron Ore, e o Brasil.

O programa de venda de ativos inclui as brasileiras Copebrás, que produz fosfato, e Catalão, de nióbio, ambas baseadas em Goiás. No exterior, serão vendidas operações de zinco e a unidade de aço Scaw Metals, sediada na África do Sul.

A unidade britânica Tarmac, que opera no ramo da construção civil, está à venda desde 2007, mas o processo foi paralisado no ano passado por causa da retração dos mercados de crédito globais.

Segundo um especialista, a empresa pode ter a mesma dificuldade para encontrar compradores para a fábrica de Catalão, uma vez que a produção está voltada para o mercado internacional, que se recupera da crise em um ritmo mais lento. A unidade produziu 4,6 milhões de toneladas em 2008.

Já no caso da Copebrás, que teve produção de 982 mil toneladas no ano passado, pode haver potenciais interessados. O Brasil é hoje importador desse mineral, usado como matéria-prima para a produção de fertilizantes para a agricultura.

CONCENTRAÇÃO
"O governo tem de ficar atento para o risco de grande concentração no setor de fosfato", alerta o superintendente de mineração e geologia do governo goiano, Luiz Fernando Magalhães. Ele pede uma avaliação detalhada do negócio pelos órgãos de defesa da concorrência.

A Anglo é uma das quatro grandes que dominam a produção nacional, ao lado de Bunge, Cargill e Galvani. A primeira surge como potencial candidata a comprar os ativos, uma vez que tem operações próximas à Copebrás. As operações da Anglo em Goiás empregam cerca de 3 mil pessoas.

No total, as unidades à venda contribuíram com US$ 1,3 bilhão para a geração de caixa da companhia no ano passado. "As mudanças que anunciamos são o próximo passo lógico para a concentração do grupo em nossas atividades de mineração principais, o que nos permite fortalecer nosso balanço financeiro ainda mais", afirmou, no comunicado, a executiva chefe da companhia, Cynthia Carroll.

O processo vai custar a demissão de três altos executivos, que se tornaram redundantes após a reorganização gerencial.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.