Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Anfavea: crise teve impacto maior no segmento de colheitadeiras

São Paulo, 08 - A crise financeira atingiu a indústria de máquinas agrícolas justamente no momento do pico das vendas de colheitadeiras, provocando a redução do volume comercializado em dezembro do ano passado. A afirmação é do vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Gilberto Zago.

Agência Estado |

Apesar do impacto negativo no desempenho do mês, o segmento encerrou 2008 com crescimento de 87,5%. Em todo o ano foram comercializadas 4.458 colheitadeiras, contra 2.377 unidades em 2007.

As vendas de colheitadeiras costumam ser feitas a partir de setembro, período em que se realiza o cultivo da safra de verão, mas a restrição de crédito em função da crise global limitou os negócios em dezembro. Segundo Zago, este é um recuo que não se recupera nesta safra, mas pode resultar em antecipação de compras para a safra 2009/10. Outro reflexo do esfriamento deste segmento foi que a indústria de máquinas agrícolas perdeu 1.240 postos de trabalho em dezembro.

Já as vendas de tratores, que são tradicionalmente menores neste período, seguem firmes em função dos três programas oficiais voltados para pequenos e médios agricultores: o federal Mais Alimentos e os estaduais Pró-Trator (SP) e Trator Solidário (PR). Desde o início do segundo semestre a Anfavea vem destacando a importância destes programas para a indústria, especialmente porque representa a entrada de novos participantes no mercado. Com os novos programas, a demanda extra por tratores de pequeno porte supera 17 mil unidades, quase um terço de todo o volume comercializado em 2008, que somou 43.415 unidades.

No total, a produção de máquinas agrícolas atingiu o recorde de 85 mil unidades. "É um volume recorde, acima dos anos de ouro da década de 70, mas as vendas ficaram restritas a tratores de menor potência", explica Milton Rego, outro vice-presidente da Anfavea e diretor de Comunicação e Relações Internas da Case New Holland (CNH).


Crédito

A prorrogação das dívidas de investimento dos produtores brasileiros terá forte impacto sobre o volume de crédito disponível para o plantio da safra 2009/10, afirmou Zago. O prazo final para os produtores pedirem a prorrogação de seus débitos foi 31 de dezembro.

Zago voltou a dizer que somente no final de janeiro será possível ter um diagnóstico sobre quantos produtores optaram por prorrogar dívidas de antigos financiamentos para compra de máquinas agrícolas, cujas parcelas venceram neste ano. Ele avalia que neste cenário o papel do agente financeiro será de grande relevância. "Se houver muitas prorrogações, o agente será obrigado a refazer as contas, porque é ele quem toma o risco nestas operações de crédito", afirmou.

Para Milton Rego, a incapacidade dos produtores de tomar crédito poderá ter grande impacto na próxima safra. Para ele, o que preocupa é a redução das vendas para os setores mais tradicionais: os grandes produtores mais tecnificados, que compram colheitadeiras. "São estes setores que estão enfrentando problemas para obter crédito".

Na avaliação do executivo da CNH, é preciso repensar o sistema de financiamento para a compra de máquinas agrícolas. "Precisamos de um modelo que garanta crédito ao produtor, mas segurança jurídica ao agente financeiro", afirma. Ele lembrou que este é um dos temas levantados pelo atual vice-presidente do Banco do Brasil para Agronegócios, Luís Carlos Guedes Pinto, que defende uma profunda reforma no sistema de crédito rural.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG