Um crucifixo instalado na parede do auditório do Ministério de Minas e Energia acabou sendo removido para a realização de solenidade com a presença do ministro Edison Lobão e do diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner. A intenção, apurou o Estado, era evitar associar a ideia da paixão e da morte na cruz às duas autoridades.

Lobão e Hubner participaram da assinatura de contratos de concessão de novas linhas de transmissão uma semana depois do apagão que deixou 18 Estados sem luz por causa de problemas no sistema de transmissão que transporta a energia de Itaipu para São Paulo. Logo após o evento, o crucifixo foi recolocado.

Segundo Hubner, não há dúvidas de que foram fatores climáticos que originaram o blecaute da semana passada. "O que ocorreu surgiu a partir disso, mas é impossível saber enquanto não temos uma análise mais profunda, se os equipamentos operaram de forma adequada", afirmou.

Segundo ele, é essa análise que está sendo feita agora pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), na condição de órgão fiscalizador do setor. Lobão disse que o relatório final da Aneel será submetido a técnicos convidados pelo governo.

"Quando for emitido o relatório, combinei com Hubner de convidar técnicos especializados de eletricidade, como da USP, para avaliar esses relatórios. Ou seja, tudo será feito absolutamente às claras."
Segundo o ministério, a Aneel e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) terão 30 dias, contados a partir do dia 16, para entregar seus relatórios. Esse prazo foi determinado pelo grupo de trabalho formado pelos ministérios para acompanhar as investigações.

Lobão e Hubner aproveitaram a cerimônia de assinatura de contratos de concessão de novas linhas de transmissão para fazer uma espécie de desagravo ao setor. "Nos últimos seis anos melhoramos o intercâmbio de energia, o que é fundamental para a segurança do sistema", afirmou Lobão.

Segundo ele, os investimentos em novas linhas equivalem a "usinas virtuais", já que o transporte de energia pode substituir a necessidade de novas usinas. Segundo Lobão, em breve o País terá 100 mil quilômetros de linhas. "Teremos o maior sistema interligado do mundo."
Hubner, que antecedeu Lobão no ministério, afirmou que não há falta de investimento em transmissão no Brasil. "De 2003 para cá, foram incorporados 22 mil quilômetros de novas linhas."

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