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Analistas questionam benefício de concluir Rodada de Doha em época de crise

O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, parece decidido a alcançar um acordo para a liberalização do comércio mundial até o Natal, embora alguns analistas duvidem de que este seja o melhor presente para uma economia em crise.

AFP |

Em meados de novembro, os líderes mundiais pediram em Washington uma conclusão rápida da Rodada de Doha após sete anos de divergências, mas até as estimativas mais otimistas sobre os benefícios econômicos de um acordo parecem pequenas em relação aos bilhões de dólares destinados pelos governos ao resgate do sistema financeiro.

"Ninguém acredita que um acordo sobre Doha possa aliviar a crise financeira", afimou à AFP Carin Smaller, especialista em OMC do Instituto para a Agricultura e a Política Comercial de Genebra.

A razão de ser da Rodada de Doha é, entre outras coisas, reduzir a intervenção pública nos mercados. Mas, lembra Smaller, "neste momento estamos observando a tendência inversa: todo mundo, principalmente no setor empresarial, está pedindo aos governos que intervenham".

"Se uma parte do acordo estabelecer uma maior desregulação do setor financeiro, então as coisas podem piorar. Este é um péssimo momento" para avançar por este caminho, alertou Timothy Wise, diretor de pesquisa do Instituto GDAE, da Universidade Tufts.

Pascal Lamy estima que os benefícios de um acordo para a liberalização do comércio mundial chegariam a 100 bilhões de dólares anuais - soma insignificante se comparada aos 700 bilhões de dólares que o governo dos Estados Unidos disponibilizaram apenas para salvar o sistema financeiro.

Wise, por sua vez, cita vários estudos do Banco Mundial (Bird) e de outras instituições apontando que o mundo em desenvolvimento obterá benefício equivalentes a apenas 16 bilhões de dólares caso um acordo seja aprovado na OMC.

"As projeções econômicas indicam que os lucros da Rodada de Doha serão muito limitadas", indicou.

Para o analista, a única vantagem de chegar rapidamente a um consenso é "psicológica", porque demonstraria que "o mundo pode se unir e entrar num acordo para alguma coisa".

Ainda assim, a crise econômica mundial conscientizou em algum nível os líderes mundiais, que agora esperam encerrar o quanto antes a Rodada de Doha, lançada em novembro de 2001 e programada inicialmente para ser concluída em 2004.

O mais recente apelo neste sentido saiu da cúpula do Fórum Econômico do Pacífico Asiático (Apec), no Peru, em sintonia com as recomendações incluídas, dias antes, no texto final de uma cúpula do G20 em Washington.

O objetivo principal do acordo é evitar uma explosão de protecionismo, política recorrente em tempos de crise.

Em muitas áreas, contudo, a Rodada ainda está longe de chegar a uma conclusão, como o comércio de algodão, os mecanismos de proteção aos agricultores pobres e as propostas para cortar drasticamente as taxas alfandegárias para algumas áreas.

"Está claro que o ponto em comum destas três questões complicadas são os Estados Unidos", destacou Romain Beniscio, analista da Oxfam.

"Os Estados Unidos não estão em posição de se mostrar flexível", afrimou Beniscio, referindo-se ao fim da administração Bush, à resistência mostrada pelo Congresso a um acordo e aos grupos de pressaão de agricultores e industriais.

A presidência francesa da União Européia também comentou esta semana que a perspectiva de alcançar um consenso estava obscurecida pela postura dos Estados Unidos.

hmn/ap/sd

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