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Analistas projetam PIB brasileiro entre 1% e 1,5% no 2º trimestre

SÃO PAULO - O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, a ser divulgado hoje, deve mostrar um crescimento bastante robusto, amparado principalmente no avanço firme do consumo das famílias e do investimento. Os analistas estimam uma alta entre 1% e 1,5% em relação ao trimestre imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais - um número mais elevado que o 0,7% registrado no primeiro trimestre. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a expectativa é de um avanço entre 5,3% e 5,8% - nos primeiros três meses de 2008, o crescimento foi de 5,8%. Se confirmados, esses números devem consolidar a perspectiva de um PIB próximo a 5% no acumulado de 2008.

Valor Online |

A economista Lygia Cesar, da MCM Consultores Associados, acredita que, no segundo trimestre, o PIB tenha crescido 1,4% sobre o primeiro e 5,8% sobre igual intervalo de 2007. Para ela, o investimento será uma das grandes estrelas no anúncio de hoje. O setor de construção civil vive um boom absurdo, e a produção e a importação de bens de capital cresceram com força no segundo trimestre , diz ela, projetando uma alta de 15,3% para a formação bruta de capital fixo (FBCF, que mede o que se investe na construção civil e em máquinas e equipamentos) em relação ao mesmo período de 2007.

O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco também tem expectativa de forte crescimento para a formação bruta de capital fixo, de 16% entre abril e junho. Os analistas do banco notam que a produção de insumos típicos para a construção civil aumentou 10% no período, enquanto o consumo aparente de máquinas e equipamentos (produção mais importação, menos exportação) subiu 22,3%.

Além do investimento, o outro grande motor da demanda tem sido o consumo das famílias. O mercado de trabalho continua pujante, com o emprego e a renda em expansão firme, como destaca o economista Cristiano Souza, do Banco Real. Para ele, o consumo das famílias deve ter crescido 6,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Além do mercado de trabalho, o ritmo impressionante de expansão do crédito, superior a 30% no acumulado em 12 meses, também dá confiança para os analistas apostarem na alta forte do principal componente da demanda. Souza estima que, no segundo trimestre, o PIB tenha avançado 1,1% em relação ao primeiro e 5,3% sobre igual intervalo de 2007.

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, tudo indica que o segundo trimestre deve registrar a maior taxa do ano, como diz a economista Giovanna Rocca, do Unibanco. No primeiro trimestre, uma alta modesta do consumo das famílias, de apenas 0,3% (devido à base de comparação muito alta), jogou o ritmo de expansão do PIB para baixo, acredita ela. Como Lygia e os economistas do Bradesco, Giovanna prevê uma alta do PIB de 1,4% - o dobro da taxa registrada no primeiro.

Para ela, a economia vai começar a perder algum fôlego já no terceiro trimestre. Em julho, os indicadores mostraram um ritmo de crescimento ainda forte, mas há sinais de que em agosto houve alguma desaceleração da atividade, afirma Giovanna. Segundo ela, no mês passado as vendas de veículos caíram 7% em relação a julho, na série com ajuste sazonal, enquanto a expedição de papelão ondulado recuou 3%. A produção de veículos ficou quase estável, com aumento de 0,3%. A redução na velocidade de expansão da economia deve ser mais forte entre outubro e dezembro, quando o impacto da alta dos juros se fará sentir com mais intensidade, diz Giovanna.

O resultado a ser anunciado hoje pouco deve mudar a taxa de expansão acumulada pelo PIB nos quatro trimestres até março, que atingiu 5,8%. O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, diz que, se o PIB tiver crescido 5,3% em relação ao mesmo período de 2007, como ele espera, a alta em quatro trimestres deve cair ligeiramente, ficando em 5,7%. Caso o avanço de abril a junho tenha ficado em 5,8%, como aposta Lygia, o crescimento em quatro trimestres sobe para 5,9%.

Como a maior parte dos analistas projeta avanço de 4,8% para o PIB neste ano, fica claro que o segundo semestre deverá ser marcado por uma desaceleração da atividade econômica. Se o crescimento em relação ao primeiro trimestre tiver sido mais próximo de 1,5% do que de 1%, é possível que bancos e consultorias revisem um pouco para cima as projeções para o PIB no acumulado em 2008. Para 2009, a aposta é de uma alta na casa de 3,5%.

(Sergio Lamucci | Valor Econômico)

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