Pela primeira vez, parte do mercado financeiro já prevê que a inflação deve superar o teto da meta em 2008. Na pesquisa Focus divulgada ontem pelo Banco Central, as cinco instituições que mais acertam as projeções - o chamado Top 5 - prevêem Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,63% no ano, acima do limite máximo de 6,50% da meta.

Na semana passada, a estimativa era de 6,44%.

Se forem incluídas todas as 80 instituições ouvidas semanalmente pela pesquisa, a projeção também subiu, mas continua dentro do intervalo aceitável. Nesta semana, a expectativa do grupo passou de 6,30% para 6,40%, na 15ª alta consecutiva. Há apenas quatro semanas, a projeção estava quase um ponto porcentual menor, em 5,55%.

Além da piora de humor com os números para 2008, o mercado está menos confiante com a evolução dos preços em 2009. Para a totalidade do mercado, a previsão para o IPCA no próximo ano subiu de 4,80% para 4,91%, na quarta alta seguida. Entre os cinco analistas que mais acertam, a estimativa passou de 4,75% para 5%. O número esperado se afasta ainda mais do centro da meta de 4,50%.

"O que mais preocupa nesses números é o comportamento do IPCA em 2009 e a possibilidade de os aumentos se propagarem pelos próximos meses", diz o assessor econômico da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Everton Gonçalves, um dos Top 5 da pesquisa do BC. Ele diz que alimentos, derivados de petróleo e tarifas públicas devem ser os principais focos de pressão sobre os preços nos próximos meses. "Não sabemos o fôlego desses preços e até onde a alta vai chegar."

Esse quadro, afirma o economista, reforça a aposta de que o aperto monetário iniciado em abril pode ser mais longo que o previsto. No mercado, há analistas que começaram a cogitar a subida mais forte do juro na reunião de 23 e 24 deste mês. Para essa corrente do mercado, o BC pode aumentar o ritmo de elevação da taxa do 0,50 ponto porcentual das duas últimas reuniões para 0,75 ponto.

Apesar desse cenário pouco otimista, o mercado preferiu manter inalterada, pelo menos por enquanto, a aposta para o comportamento dos juros. Para os analistas, a Selic deve subir 2 pontos porcentuais, para 14,25%, até o fim do ano. Para 2009, a previsão é de início de alívio monetário, com a Selic encerrando o ano em 13,50%.

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