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Analistas prevêem desaceleração econômica na AL em 2009

Mercedes Bermejo. Madri, 20 out (EFE).- O impacto da crise financeira internacional causará uma desaceleração na América Latina em 2009, previram hoje vários analistas internacionais convocados em Madri pela Secretaria-Geral ibero-americana.

EFE |

Dias antes da cúpula que reunirá chefes de Estado e de Governo ibero-americanos em El Salvador, o secretário-geral da Comunidade Ibero-americana, Enrique Iglesias, convocou uma "mesa de diálogo" para avaliar os possíveis efeitos da crise financeira internacional na região.

Participaram do debate o ex-ministro da Economia espanhol Carlos Solchaga, o ex-presidente do Governo espanhol Felipe González e o ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Michel Camdessus, entre outros observadores.

"O próximo ano será um ano de desaceleração crescente, mas não necessariamente de risco crucial nos equilíbrios fundamentais da região", disse Solchaga.

O ex-ministro espanhol fez essa declaração após explicar que estes meses de setembro e outubro demonstraram que "desligar" a economia dos países emergentes da economia global não é possível, mas um "devaneio".

A afirmação de Solchaga foi ratificada por Camdessus, que se atreveu a chamar essa hipótese de "conto de fadas".

No entanto, e ao contrário do que aconteceu no passado, a América Latina está mais bem preparada para enfrentar uma situação desfavorável devido ao sucesso de suas políticas monetária e econômica, concordaram os especialistas.

Essa "força", segundo Solchaga, aponta para uma "alta probabilidade" de que a América Latina "resistirá ao contágio" da crise por via financeira, para a qual contribui a baixa participação da região no sistema bancário.

No entanto, o ex-ministro citou um risco ao qual a região está sujeita e que "pode vir pelas mãos de empresas espanholas e, particularmente, de construtoras", ao se verem obrigadas a ter que vender rapidamente ativos para fazer frente ao endividamento.

Solchaga também previu uma "deterioração muito rápida" das contas fiscais devido à diminuição das exportações.

Perante esta conjuntura, Solchaga prevê que o crescimento reduzirá "muito consideravelmente", até 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2008, com queda até 2,8% em 2009.

No entanto, declarou que se os países emergentes evitarem uma recessão "grave demais" e os emergentes, como China, Rússia e Índia, mantiverem altas taxas de crescimento, "é possível" que a América Latina recupere sua média de expansão em 2010.

Por sua parte, Camdessus enumerou possíveis causas que levaram à atual crise financeira, e entre elas citou a falta de "controle" dos mercados e de "disciplina multilateral".

Por isso, o ex-diretor-gerente do FMI apostou por uma instituição "de observação" de alta competência para analisar soluções e capaz de identificar as tendências dos mercados e de alertar e propor regulações e estratégias, assim como de vigiar sua execução.

Camdessus também argumentou que esta instituição deverá ter "poderes idênticos aos do FMI sobre as transações monetárias ou por conta corrente" sobre as operações financeiras.

Diante da urgência em resolver a atual conjuntura sobre a qual se projeta a sombra da recessão, Camdessus disse que "não há mais remédio para ser pedido ao FMI" que se reforme "profundamente para ser capaz de receber tais atribuições".

Essas reflexões aconteceram às vésperas da cúpula que os chefes de Estado e de Governo ibero-americanos realizarão de 29 a 31 de outubro em El Salvador e que será dedicada aos jovens, um dos principais setores da população que "sentirá os impactos da crise", concluiu Iglesias. EFE me/wr/jp

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