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Analistas consideram decisão do Copom adequada, embora com riscos

SÃO PAULO - Analistas e economistas do mercado financeiro qualificam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) como arrojada, adequada, mas com algum risco embutido. Seja como for, chegou como surpresa até para os que apostavam na redução de 1 ponto percentual na Selic, para 12,75% ao ano.

Valor Online |

Embora essa diminuição fosse esperada por boa parte do mercado, o típico conservadorismo da autoridade monetária reforçava apostas em um corte de 0,75 ponto percentual.

Para Wladimir Caramaschi, estrategista-chefe do Credit Agricole, embora ainda haja incerteza sobre o efeito do dólar valorizado sobre a inflação e sobre a duração da desaceleração da atividade, o Banco Central considerou o risco da decisão "administrável".

Para Caramaschi, que apostava em corte de 0,75 ponto percentual, o ciclo de redução do juro básico deve somar 300 pontos percentuais. "A decisão mostra uma grande confiança de que o cenário vai evoluir favoravelmente para manter a inflação acomodada", avalia.

Ainda sobre o placar da votação, que contou com três dos oito votos para um corte de 0,75 ponto percentual, o estrategista acredita que a idéia é não entusiasmar muito o mercado, ou seja, para não avançar as expectativas para além do ponto desejado pelo BC.

Já o ex-diretor do Banco Central e atual economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartsman, continua achando que o risco inflacionário para a economia é alto. Ele, que vinha esperando um corte de 0,50 ponto percentual, acredita que ainda não há um consenso sobre o repasse cambial para os preços. "Isso (o repasse) às vezes demora para acontecer e pode levar a risco", diz. Segundo ele, o corte maior agora sinaliza que o movimento de ajuste será "mais rápido e mais forte".

Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Gradual Corretora, concorda neste ponto e acredita que o ciclo de cortes se resumirá a três reduções de 1 ponto percentual cada um.

Já em relação à decisão, Silveira, que acreditava na redução de 1 ponto percentual, avalia que o corte foi "arrojado", já que superou a maioria das apostas de mercado, que embutiam diminuição de 0,75 ponto, inclusive no segmento de juros futuros da BM & F.

"Se ele (Copom) cortou mais é porque está tentando reduzir o juro real além do que o mercado deseja. Foi uma atuação extremamente arrojada", avalia, reforçando que o rumo da taxa agora vai na "direção correta".

Newton Rosa, economista-chefe da Sul América, lembra, entretanto, de um fator importante que consta do texto da decisão. Nele, o Copom afirma que a flexibilização da política monetária começa agora com "parte relevante do movimento da taxa básica de juros".

Para Rosa, isso simboliza que os próximos movimentos do colegiado tendem a ser mais suaves. "A divisão entre os membros inclusive reforça isso", diz o economista, acrescentando ainda que a redução de hoje não deve alterar muitos as taxas de longo prazo negociados na BM & F amanhã.

Sobre a decisão em si, Rosa, que apostava em redução da Selic para 13%, acredita que o cenário atípico exigia um movimento "fora dos padrões do Banco Central". Na avaliação dele, na análise entre os integrantes do Comitê, o balanço de risco pendeu mesmo para o lado da atividade, já que a inflação vem mostrando movimento mais moderado.

Em nota divulgada após a decisão do Copom, a agência de classificação de risco Fitch alertou para o risco que o câmbio traz para a inflação. "O Banco Central precisa se manter vigilante contra os riscos de inflação provenientes do enfraquecimento do real", afirmou Shelly Shetty, diretora sênior do grupo de ratings soberanos da Fitch na América Latina. "A manutenção de uma estrutura de política monetária e de taxa de juros confiável será essencial para que o Brasil possa enfrentar o ambiente externo desfavorável e minimizar os impactos da recessão global, queda dos preços das commodities e desalavancagem global", afirmou Shetty.

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