Por Vivian Pereira

SÃO PAULO (Reuters) - Em meio aos mais recentes movimentos de consolidação no varejo doméstico, as dúvidas quanto às opções viáveis para que o Magazine Luiza se mantenha competitivo ante as grandes redes ganharam destaque.

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ANÁLISE-Magazine Luiza deve mirar redes menores para crescer

Por Vivian Pereira

SÃO PAULO (Reuters) - Em meio aos mais recentes movimentos de consolidação no varejo doméstico, as dúvidas quanto às opções viáveis para que o Magazine Luiza se mantenha competitivo ante as grandes redes ganharam destaque.

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Por Vivian Pereira

SÃO PAULO (Reuters) - Em meio aos mais recentes movimentos de consolidação no varejo doméstico, as dúvidas quanto às opções viáveis para que o Magazine Luiza se mantenha competitivo ante as grandes redes ganharam destaque.

Após perder para o Pão de Açúcar a disputa pelo Ponto Frio e, mais recentemente, a Insinuante para a Ricardo Eletro, a empresa comandada por Luiza Helena Trajano mantém o mercado à espera de um movimento urgente, sob o risco de perder ainda mais espaço no setor.

Em reação à fusão do Grupo Pão de Açúcar com a Casas Bahia, anunciada em dezembro e posta em discussão nesta terça-feira pela família Klein, o segundo grande passo rumo à consolidação do varejo foi dado no final de março, quando Ricardo Eletro e Insinuante uniram suas operações e criaram a segunda maior empresa de eletroeletrônicos e móveis do país, com faturamento de 5 bilhões de reais.

Com isso, o Magazine Luiza desceu para a terceira posição entre as varejistas. Em 2009, a receita líquida da companhia foi de 2,8 bilhões de reais.

Uma possível aliança com a Máquina de Vendas --holding formada por Ricardo Eletro e Insinuante-- não é descartada pelo mercado e ajudaria a segunda colocada no ranking do varejo nacional a colocar em prática a estratégia de expandir sua atuação em São Paulo, já que ambas as redes têm forte atuação na região Nordeste.

"A associação de Insinuante e Eletro com Magazine Luiza é uma alternativa, pois aceleraria o processo de entrada em São Paulo (interior)", assinala o analista Rafael Cintra, da Link Investimentos.

Na opinião do analista Ricardo Boiati, do Bradesco BBI, a dificuldade de se obter bons pontos de venda no Estado favorece a união a uma rede já consolidada. "Isso aceleraria o processo, já que começar do zero é mais caro, demorado e arriscado."

As apostas do mercado, contudo, privilegiam o perfil consolidador da empresa sediada em Franca (SP). Nesse sentido, a aquisição de redes regionais de menor porte --com até 20 lojas-- se mostra como o melhor caminho a ser seguido por Luiza Helena para ganhar musculatura em todo o país.

"Para o Magazine Luiza, pode ser interessante comprar (empresas) menores porque o desembolso de dinheiro não será tão grande. Além de não pagar pela marca, grupos regionais custam menos por não estar em grandes centros", afirma o analista Pérsio Nogueira, da Planner Corretora.

Segundo ele, a estratégia representaria uma via de mão dupla, favorecendo pequenas redes que hoje estão endividadas ou enfrentam dificuldades para negociar preços melhores.

"O movimento de consolidação vem impulsionando empresas de pequeno porte a se unir a redes maiores, prevendo a possibilidade de melhores condições para competir", acrescenta Nogueira, que não descarta, por outro lado, uma possível associação entre Magazine Luiza e Casas Pernambucanas.

Neste caso, embora os negócios não sejam equivalentes, seriam complementares, ao ampliar a atuação da Pernambucanas em eletrodomésticos e eletrônicos.

"O Magazine Luiza, que perdeu posição, talvez procure também se unir a outro player, como a Colombo ou Pernambucanas", disse o professor do Centro de Excelência no Varejo da Fundação Getulio Vargas, Maurício Morgado, na ocasião da fusão entre Ricardo Eletro e Insinuante.

IPO

A possibilidade de um passo ser dado pelo Magazine Luiza no curto prazo também reforça as discussões de que a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da companhia possa ocorrer ainda este ano.

"A abertura de capital não é condição fundamental para aquisições, mas seria positiva para dar fôlego à empresa ao entrar numa negociação", ressalta Cintra, da Link, acrescentando que, "se (a empresa) ficar parada, vai perder espaço".

Já Nogueira, da Planner, aponta que a ida do Magazine Luiza ao mercado está vinculada à estratégia que a companhia pretende adotar. "Caso decida se unir a uma grande rede, o IPO seria interessante depois, garantindo um valor de mercado maior", avalia. "Dessa forma, teria muito mais força para competir com Pão de Açúcar."

Em contrapartida, se a estratégia de adquirir grupos regionais menores for adotada, a varejista deve ir a mercado antes para se capitalizar, conforme o analista.

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