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ANÁLISE-Desaceleração brasileira cria problemas para a Fiat

Por Todd Benson SÃO PAULO (Reuters) - A economia brasileira está começando a puxar os freios e a Fiat está sentindo os impactos.

Reuters |

No últimos anos, o Brasil tem sido peça-chave no sucesso da Fiat, compensando facilmente as fracas vendas na Europa. Agora, a montadora italiana está enfrentando incertezas em um mercado dominado por ela por muito tempo e com o qual contava para manter seu desempenho.

As vendas de carros e picapes novos no Brasil despencaram dramaticamente nos dois últimos meses em meio a uma forte crise de crédito e uma declinante confiança dos consumidores, levando a Fiat e outras montadoras a darem licença a trabalhadores e diminuírem a produção.

Algumas indústrias já começaram a cortar empregos prevendo um mercado apertado em 2009, que há apenas alguns meses parecia crescer e se consolidar como mais um forte ano para a indústria automobilística brasileira.

"Todos estamos esperando que o primeiro trimestre tenha um ritmo de vendas melhor", afirmou Jackson Schneider, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). "Mas 2009 ainda é uma incógnita."

Para a Fiat, cujo presidente-executivo, Sergio Marchionne, afirmou em entrevista publicada nesta segunda-feira que a empresa pode não sobreviver à atual crise econômica global sozinha, o que acontece no Brasil é crucial.

O país é o segundo maior mercado da montadora após a Itália, respondendo por mais de 30 por cento de suas vendas globais e de seus lucros. À medida que as vendas na Itália caíram em anos recentes, o Brasil tem constantemente compensado essas perdas.

Isto já não pode mais acontecer. As vendas da Fiat no Brasil mergulharam 23,6 por cento em novembro e 12 por cento em outubro como consequência da crise de crédito que mantém potenciais compradores longe das concessionárias.

A queda súbita na demanda forçou a Fiat a dar licença a 3 mil trabalhadores das fábricas brasileiras, e mais 10 mil ficarão inativos por até 20 dias neste mês.

Mesmo com a redução na produção, a Fiat acumulou tanto estoque que teve que alugar uma pista de pouso perto de sua principal fábrica no Estado de Minas Gerais para armazenar os veículos. A montadora está atualmente estocando 3 mil carros na pista.

A Fiat evitou indicar um executivo para uma entrevista, mas um porta-voz da unidade brasileira afirmou: "A Fiat mantém a confiança na rápida recuperação do ritmo de vendas de veículos no mercado nacional, graças às boas condições estruturais do país e as ações governamentais para o aumento da oferta de crédito".

ESCASSEZ DE CRÉDITO

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindicalista do setor automotivo, e o governo do Estado de São Paulo têm procurado ajudar injetando 8 bilhões de reais em crédito nos bancos estaduais para vendas de carros.

Mas apenas uma parcela desta quantia foi disponibilizada, deixando como recurso para as montadoras feirões promocionais em uma tentativa de esvaziar seus estoques. A indústria como um todo terminou novembro com estoques suficientes para quase dois meses de vendas.

Na última semana, a fabricante de caminhões sueca Volvo AB se tornou a primeira grande montadora a cortar empregos no Brasil por conta da desaceleração quando despediu 430 empregados, colocando os sindicatos do setor em alerta em todo o país.

A Fiat disse recentemente ao sindicato local da cidade de Betim, onde a sua principal fábrica está alocada, que irá cortar provavelmente cerca de 350 cargos temporários que foram criados em agosto. Ainda assim, cortes em massa ainda não parecem iminentes.

"Ainda não dá para falar se haverá um volume grande de demissões", afirmou Marcelino da Rocha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim. "Mas se falarmos que não existe insegurança, seria mentira."

Mesmo com a desaceleração do mercado, a Fiat já vendeu um recorde de 615,204 veículos neste ano, alta de 12 por cento frente a todo o ano de 2007. E no último mês, Marchionne afirmou que a empresa não tem a intenção de desistir de seu plano de investir 5 bilhões de reais no Brasil até 2010.

"O credito vai retornar a níveis próximos ou iguais a antes, e toda essa demanda reprimida que existe no Brasil vai querer comprar carro", disse Luiz Carlos Mello, ex-presidente da Ford Motor no Brasil

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