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ANÁLISE-Custo e menor oferta de boi desafiam Brasil a atender UE

Por Roberto Samora SÃO PAULO (Reuters) - São Paulo e Paraná, dois dos principais produtores de carne bovina do Brasil, que receberam na segunda-feira autorização para retomar as exportações à União Européia, terão dificuldades para gerar no curto prazo volumes significativos de vendas ao melhor mercado do mundo, disseram autoridades brasileiras.

Reuters |

Isso se deve ao fato de o Brasil estar atravessando um período de baixa oferta de bovinos --os abates caíram 10 por cento no primeiro trimestre [ID:nN27408250]--, o que tem se refletido no preço interno, que está nos patamares mais altos da história.

De outro lado, com as margens apertadas, os frigoríficos deverão ter problemas para pagar um prêmio pelo boi rastreado --como querem os europeus--, um valor exigido pelos pecuaristas para cobrir os custos do processo de habilitação da fazenda.

'É fato que tanto faz fornecer (boi) para fora (mercado externo) ou para dentro (interno). Ninguém quer ser propriedade Eras (propriedade com rastreabilidade aprovada), porque é um processo burocrático, caro. Mas isso imagino que seja momentâneo, acho que outros produtores se cadastrarão', disse o secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio.

Depois de suspender as exportações de carne do Brasil no início do ano, argumentando que o país não atendia as exigências de rastreabilidade do bloco, os europeus, que pagam os maiores valores no mundo pela carne bovina, acabaram liberando em março cerca de cem fazendas, a maioria em Minas Gerais. Mas esse número é insuficiente para garantir um volume razoável de exportações à UE.

Segundo o secretário, os técnicos do Estado já estão preparados para auditarem as fazendas, e isso agora só depende do pecuarista. Para Sampaio, São Paulo, que antes do embargo era o maior exportador de carne para UE, tem uma logística privilegiada, o que pode estimular as empresas a pagarem mais pelo boi, para voltarem a acessar o mercado europeu.

'Imagino que vai ter espaço para remunerar o pecuarista de São Paulo de maneira diferenciada, e os pecuaristas vão aderir ao modelo.'

Segundo Luiz Carlos Oliveira, diretor-executivo da Abiec, entidade que representa os exportadores, diante da 'restrição da matéria-prima' no Brasil, o setor está propondo um aprimoramento no sistema de auditoria e validação das propriedades, para agilizar o processo.

O executivo da Abiec disse ainda que, apesar das dificuldades, o Brasil não pode perder a oportunidade de retomar o seu mercado na Europa.

'A valorização muito alta no mercado interno é fator que desestimula uma adesão imediata, mas temos que lembrar que a UE é o principal parceiro do Brasil... O maior de todos os prêmios é garantia de mercado', disse ele, incitando os produtores a se cadastrarem no sistema de rastreabilidade, um movimento que beneficiará toda a cadeia produtiva.

'Se abrirmos mão desse mercado, outro vai conquistá-lo.'

PREÇOS REDUZEM PROTECIONISMO

Oliveira disse que a decisão européia de autorizar São Paulo e Paraná foi técnica, seguindo o reconhecimento da Organização Internacional de Saúde Animal de área livre de aftosa. Mas ele admitiu que a elevação de preços na Europa também colaborou para a medida.

Uma fonte de uma importante indústria brasileira, que pediu para não ser identificada, foi mais incisiva ao comentar os motivos da decisão européia.

'A necessidade está falando mais alto do que o protecionismo... Houve falta do produto, o que gerou inflação e reclamações de consumidores. A carne na Europa atingiu patamares de preços muitos altos', disse ele, lembrando que a situação global de alta nos preços dos alimentos deve provocar uma gradativa queda de 'obstáculos' impostos ao comércio.

'Vamos ver outras medidas...', acrescentou, lembrando que em mais dois ou três anos os europeus vão ter a necessidade de ampliar os seus fornecedores, realizando até mesmo importações da carne dos Estados Unidos, que atualmente é barrada por questões hormonais e de transgênicos na alimentação animal.

A fonte disse ainda que os europeus, com uma moeda forte atualmente, podem utilizar essa vantagem para realizar compras no exterior e amenizar a pressão inflacionária.

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