Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

ANÁLISE-Aperto no crédito afeta trigo e milho na Argentina

Por Maximilian Heath BUENOS AIRES (Reuters) - As safras de milho e trigo da Argentina em 2008/09 deverão ser inferiores às da temporada anterior, em grande parte devido ao aperto no crédito para financiamento das atividades agrícolas, em meio a um aumento de custo de produção.

Reuters |

Os problemas enfrentados pelos produtores na Argentina, um dos maiores exportadores mundiais de grãos, ocorrem em um momento em que os preços mundiais dos cereais não estão tão altos como no começo do ano. Além disso, uma grave seca ameaça os cultivos no país.

"O acesso ao crédito está praticamente cortado, tanto do lado dos bancos como do lado das empresas que vendem insumos. Nenhuma empresa se interessa em fazer financiamentos nas condições de incerteza que temos", afirmou Paulina Lescano, analista da consultoria Agropuerto.

O ano de 2008 começou promissor para a atividade agrícola da Argentina, que nos últimos anos aumentou a sua produção de grãos com o uso de tecnologia moderna, em virtude dos altos valores internacionais da commodities.

Mesmo assim, o cenário mudou rapidamente depois de apresidente Cristina Fernández ter aumentado em março o imposto de exportação de grãos e derivados, o que detonou fortes protestos do setor rural, com paralisação de negócios e bloqueios de estradas.

Depois de três meses de disputas, o Congresso argentino rechaçou a modificação tributária, mas a gravidade da disputa e os temores de novas intervenções do governo no mercado derrubaram a atividade no mercado de futuros de grãos, um instrumento importante para o setor.

"Até 11 de março, quando foi modificado o imposto (de exportação), o acesso do produtor ao crédito era muito bom, porque os bancos viam com simpatia. A partir daí, isso perdeu um pouco de força", disse à Reuters Juan Gear, vice-presidente da associação agroindustrial Maizar.

Os produtores agrícolas normalmente vendem suas colheitas a termo, antes de iniciar a semeadura, para poder estimar qual será o limite de investimentos que podem realizar na safra.

As cotações dos negócios futuros também são usadas como valores de referência para orientar empréstimos bancários e de financiamento pelos fornecedores de insumos, uma prática habitual na atividade que atualmente está bastante comprometida.

"A possibilidade de crédito está muito reduzida. Da parte do comércio, é muito baixa", assegurou Gustavo Depetris, agente comercial da empresa SPS Argentina S.A., em Córdoba.

Embora a soja seja o principal cultivo na Argentina, a nação sul-americana é a segunda maior exportadora de milho e uma das cinco maiores fornecedoras de trigo do mundo.

De acordo com Ricardo Forbes, presidente da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, o sistema atual de exportação "dificulta as operações, desestimulando a realização antecipada de negócios..., prejudicando o financiamento dos produtores".

A bolsa já reduziu a 2,7 milhões de hectares a sua estimativa de área plantada com milho em 08/09, ante os 3,2 milhões na safra anterior, devido ao "clima seco..., ao elevado valor dos insumos básicos, ao baixo retorno do investimento e ao alto capital exigido".

O governo também alertou sobre a situação no início de setembro, quando afirmou que algumas aplicações de adubo deixaram de ser feitas para o trigo por falta de insumos, elevados preços e falta de crédito.

Em seu informe mensal, a Secretaria da Agricultura calculou a área plantada com trigo em 2008/09 em 4,5 milhões de hectares, abaixo dos 5,85 milhões registrados em 2007/08.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG