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ANÁLISE-A América Latina aprendeu a lição das crises anteriores?

Por Hugh Bronstein BOGOTÁ, Colômbia (Reuters) - Quais lições a América Latina aprendeu com as crises econômicas anteriores? Os investidores devem descobrir a resposta quando a região for testada pela derrubada do preço das commodities e por uma retração do crédito responsável por empurrar o mundo para uma recessão.

Reuters |

Alguns governos de países latino-americanos encontram-se mais bem preparados do que outros para enfrentar a crise. No entanto, os gerentes de fundo deveriam ficar de olho mesmo nas nações mais promissoras, tais como o Chile, o México, a Colômbia e o Brasil, que podem cometer erros de política à medida que suas economias desaquecem.

"Não dou como favas contadas que os países que vinham fazendo a coisa certa continuarão a fazê-lo agora", afirmou em Nova York Alberto Ramos, analista de mercados emergentes da Goldman Sachs.

Os meses vindouros devem mostrar quais governos continuarão com as políticas pró-mercado adotadas ao longo dos últimos seis anos, um período tranquilo de crescimento alimentado pelas commodities. E quais vão tornar suas políticas menos rígidas em busca de incentivar o crescimento.

"Esta crise será o primeiro teste real deles", afirmou Ramos. "Eles de fato acreditam nas taxas de juros mais altas para controlar a inflação ou acreditam em taxas mais baixas para provocar o crescimento da economia à base de esteróides?"

Algum grau de moderação fiscal e monetária pode ser implantado à medida que o crescimento econômico perde energia. O problema surgirá se os países exagerarem na dose ou se voltarem a adotar barreiras comerciais, um controle de capitais e um controle rígido sobre a moeda.

De 2002 a 2008, a América Latina experimentou condições quase ideais no panorama global, marcado pelos altos preços das commodities produzidas na região como o petróleo, os grãos, o cobre e o café.

Algumas nações, afetadas por crises entre 1998 e 2002, parecem ter aprendido a lição de que combater a inflação é mais importante do que centrar-se no fortalecimento de sua moeda e no crescimento econômico recorrendo a gastos e empréstimos.

O México, o Brasil, o Chile e o Peru adotaram políticas fiscais e monetárias elaboradas para dar-lhes uma estabilidade de longo prazo.

Esses países usaram o período de crescimento de 2002 a 2007 para aumentar suas reservas de moeda estrangeira, dispondo de um colchão agora que o preço das commodities cai junto com o crescimento da economia global.

"Ainda é uma questão em aberto saber se essas reservas são grandes o suficiente e se a política fiscal/monetária é rígida o suficiente para enfrentar um choque dessas proporções", afirmou Amer Bisat, gerente de fundo da Traxis Partners, com sede em Nova York.

O Brasil, o México e a Argentina recorreram a essas reservas nas últimas semanas a fim de evitar uma desvalorização ainda maior de suas moedas.

A Colômbia conta com déficits grandes demais apesar de um recorde no volume de investimentos. E o presidente do país, Alvaro Uribe, já criticou diversas vezes o banco central do país por não baixar as taxas de juros.

"Seria um erro, neste momento, desapertar em grande escala as políticas fiscal e monetária, deixando de lado o combate à inflação", afirmou um gerente de fundos de Nova York que não quis ter sua identidade revelada.

Os presidentes dos bancos centrais do México, Brasil, Chile, Argentina, Peru e Colômbia reuniram-se no domingo, em Santiago (capital chilena), para discutir o aprofundamento da crise financeira mundial e as melhores formas de a região responder ao problema.

"Devido a fundamentos econômicos sólidos, estamos em melhores condições de enfrentar a turbulência financeira", afirmaram essas autoridades em um comunicado conjunto divulgado após as negociações.

O encontro ocorreu depois de uma reunião de uma semana em Washington entre os 185 países-membros do Fundo Monetário Internacional (FMI) a fim de debater medidas para estancar a hemorragia financeira provocada pela pior crise econômica das últimas décadas.

ANOS DE CRISE, LIÇÕES APRENDIDAS?

A América Latina ingressou em um período de crises com a desvalorização de várias moedas asiáticas em 1997.

Os mercados emergentes continuaram tumultuados com a crise da dívida da Rússia, em 1998, a desvalorização da moeda brasileira em 1999, o colapso econômico da Argentina em 2001 e as ondas de choque provocadas pela eleição presidencial de 2002 no Brasil, vencidas pelo ex-sindicalista de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva. Lula, no entanto, deu continuidade às políticas pró-mercado.

Ramos, do Goldman Sachs, lembrou os investidores que o líder brasileiro, de outro lado, somente agora se depara com seu primeiro grande desafio.

"Lula é no fundo um populista ou ele acredita mesmo nas políticas que implementou?", perguntou Ramos. "A atual safra de líderes da América Latina nunca teve de nos mostrar suas verdadeiras convicções políticas. Até agora, eles vinham administrando seus países durante um período de fartura, o que é fácil."

Os governos da Venezuela, da Argentina e do Equador, de tendência esquerdista, já inspiravam menos confiança nos investidores mesmo quando suas economias baseadas nas commodities expandiam-se.

Esses países terão menos espaço de manobra com a baixa dos preços do petróleo e dos grãos. Se mantiverem suas políticas monetárias, o que devem fazer por razões ideológicas, suas economias terão resultados piores que os possíveis, afirmou Ramos.

"Um ambiente mais duro vai traçar uma linha divisória entre os países com um motor forte e os que andavam rápido só porque dirigiam ladeira abaixo", disse o analista.

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