Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Análise: ´Vendido´ cresce a US$ 6 bi e dólar cai

SÃO PAULO - O dólar caiu ontem 0,69%, para R$ 1,5780, menor cotação desde 19 de janeiro de 1999. Entraram recursos externos para o mercado à vista da Bovespa e para os pregões de derivativos cambiais da BM & F. No primeiro caso, são os dólares dos fundos estrangeiros que subscreveram ações da Vale. Parte relevante dos quase US$ 12 bilhões captados veio de fora. O dólar cairá mais quando começar a entrar o pagamento da compra feita pela Anglo American de participações em empreendimentos da MMX. São cerca de US$ 3 bilhões e parte vem esta semana. A pressão também é forte no mercado futuro. As posições vendidas (que apostam na queda do dólar) dos investidores de fora subiram de US$ 3,24 bilhões no último pregão de junho para US$ 6,08 bilhões na sexta-feira. Isso tem a ver com a perspectiva de aumento do diferencial de juros entre o Brasil e os EUA a partir de quinta-feira, quando começa a valer a nova taxa Selic, estimada em 12,75%. O spread bruto entre as taxas avançará dos atuais 10,05% para 10,54%.

Valor Online |

Pode subir a 10,78%, se os tesoureiros de bancos estiverem certos e o Copom aumentar a dose do aperto, amanhã, para 0,75 ponto. Tudo indica que estão errados. Ontem eles botaram mais dinheiro na aposta de juro a 13% a partir de quinta-feira. Eles se ativeram à projeção em alta de IPCA do Boletim Focus e à um IGP-M ainda muito carrancudo para puxar os contratos futuros de juros para cima. A segunda prévia do IGP-M deste mês foi de 1,79%, em desaceleração comparativamente ao 1,83% da segunda prévia de junho. Os analistas esperavam uma frenagem mais intensa, já que a mediana das expectativas era de 1,70%. Mas o IGP-M não está uniforme: enquanto o IPA acelerou de 2,05% para 2,28%, o IPC cedeu de 0,78% para 0,54%. Tem componente sazonal aí, mas o varejo pode não estar conseguindo passar adiante toda a alta recebida no atacado.

As pressões inflacionárias vão se enfraquecer cada vez mais. Quem diz isso - Carlos Thadeu de Freitas Gomes Filho, economista-chefe da SLW Asset Management - é alguém insuspeito por defender a alta de 0,75 ponto. Ele está com um IPCA de 0,53% este mês, muito baixo se cotejado ao 0,65% da mediana do mercado. Para o grupo dos IGPs estima volta à normalidade (entre 0,30% e 0,50%) em agosto. O Focus ajustou a projeção de IPCA acumulado este ano de 6,48% para 6,53%. Uma alta insignificante na magnitude, mas carregada de significado psicológico ao furar o teto da banda inflacionária. Boa notícia foi que as Top 5 (as instituições que mais acertam) mantiveram em 4,70% o IPCA prognosticado para 2009. A previsão estava em 4,75% há um mês. Mas os comprados em taxa não quiseram saber, e puxaram os DIs para cima. A taxa para a virada do ano subiu de 13,46% para 13,53%. O CDI previsto para janeiro de 2010 avançou de 14,93% para 15,03%. E o DI para janeiro de 2012 passou de 14,63% para 14,78%.

Carlos Thadeu acredita que, se tiver de mudar a velocidade de alta da Selic, o BC irá sinalizar isso exaustivamente. E a comunicação dele não mudou em nada, nem na ata, nem no Relatório de Inflação, nem nos discursos de Henrique Meirelles. Se acreditar que precisará acelerar a Selic a 0,75 ponto, o BC vai emitir amplos sinais, como placares divergentes ou retirada de palavras-chaves do seu discurso, como o tempestivamente , ou o enquanto for necessário . O BC não precisa acelerar, em primeiro lugar porque acredita que o gradualismo é mais eficiente. Para o BC, não há necessidade de ter pressa no ajuste, uma vez que a política monetária gradual é mais eficaz e lida com mais propriedade com a incerteza , diz Carlos Thadeu. O economista defende o ajuste mais intenso por acreditar que a aceleração será capaz de limpar a sujeira que entope os canais de transmissão da política monetária: a expansão estrutural do mercado de crédito e o choque estrutural no setor de construção civil.

Se a aceleração para 0,75 ponto é uma manobra muito arriscada uma vez que não foi amplamente indicada, por que os tesoureiros dos bancos (os maiores vendidos em PU e comprados em taxa) insistem em puxar os DIs para cima? Como os prêmios persistem inchados, se o BC cumprir a sua promessa e subir a taxa em 0,50 ponto (a terceira alta seguida de 0,50 ponto, desde que começou o aperto, em abril), as taxas irão cair na quinta-feira. Prejuízo para os bancos? Não é certo. Eles podem não perder nada se a compra dos contratos na ponta mais curta fizer parte de uma operação mais estruturada que pode ter alguma outra compensação ou contrapartida em algum vértice longo do mesmo DI, ou em outro segmento de derivativo.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG