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Análise: Tom otimista com Obama e Copom

SÃO PAULO - A semana começará efetivamente para o mercado financeiro apenas amanhã. Hoje é feriado nos EUA em homenagem a Martin Luther King e os pregões brasileiros devem ter um dia de baixa liquidez e movimentos sem alteração de viés.

Valor Online |

Amanhã, a posse de Barack Obama na presidência dos EUA permitirá tendência mais otimista, mas também não definitiva, para todos os segmentos. Para o Brasil, emoções mais intensas somente devem acontecer a partir de quarta-feira, dia do primeiro Copom do ano. E também histórico: iniciará o último ciclo de flexibilização monetária do governo Lula. Como todos sabem que ele irá baixar o juro, as pressões políticas são desta vez suaves. E se não está sob pressão, o Banco Central pode se sentir encorajado a inovar e, abandonando a cautela meramente tempestiva, agir sob efeito de uma visão prospectiva.

O mercado se encaminha para o consenso maciço de corte de 0,75 ponto. A Selic cairia de 13,75% para 13%. A baixa de 0,50 ponto iria consagrar a posição " atrás da curva " do BC. Corte de 1 ponto aprofundará a correção declinante da curva. Notoriamente, o BC tem medo dessas sinalizações radicais. A taxa do swap de 360 dias, que caiu de 13,20% no último Copom (10 de dezembro) para 11,40% agora, rumaria rapidamente para 11% se o BC diminuísse a Selic em 1 ponto. Como a taxa brasileira é uma das mais altas do mundo em termos nominais, o Copom pode até dar-se ao luxo de ignorar seus pendores ortodoxos e respeitar o relaxamento mundial. Como diz Fabio Erber, professor do Instituto de Economia da UFRJ, há o efeito de mimesis: se até o BCE planeja mais reduções, ficará o BC brasileiro fora da manada? O problema é que o Copom " sofre de uma forma peculiar e patológica de machismo: está sempre preocupado em mostrar independência " . Para Erber, mais importante que o tamanho da redução imediata será a indicação de tendência de queda firme, para reduzir a incerteza e incentivar consumo e investimento.

O consultor Marco Aurélio Garcia, diretor da Mag Consultoria, observa que mesmo caindo 1 ponto a Selic ainda ficará acima da taxa mais negociada da curva de juros. Enquanto isso acontecer, a política monetária será classicamente contracionista. Como a conjuntura de baixa demanda já é naturalmente contracionista, ela não precisa da ajuda da política de juros. Enquanto o Tesouro Nacional já se beneficia com a queda dos juros futuros, as empresas ainda estão pagando, no mínimo, CDI mais 15%. Uma queda mais acentuada da Selic teria o poder de corrigir esta distorção.

Pedro Paulo Silveira, da Gradual Investimentos, não descarta a hipótese de corte de um ponto. Ele não concorda com a visão de que o Copom só não fará um o corte deste tamanho por causa da sua manifesta inclinação conservadora. O economista lembra que a atual gestão já fez, quando se mostraram necessários, cortes substanciais na taxa. Foi o que aconteceu por exemplo logo no começo da administração Meirelles. No Copom de julho de 2003, a Selic caiu 1,5 ponto, de 26% para 24,50%. Na reunião seguinte cedeu 2,5 ponto, para 22%. E na reunião de setembro de 2003 a dose foi de dois pontos. Para Silveira, uma redução mais forte pode ser agora indispensável para diminuir os spreads bancários, muito elevados mesmo depois da liberação de compulsórios.

O economista da Pentágono Asset, Marcelo Ribeiro, diz que o BC deveria fazer o corte que fosse necessário para recolocá-lo " adiante " da curva de juros. Precisa recuperar a confiança da sociedade num momento em que o mundo inteiro questiona a eficácia dos instrumentos de política monetária. Globalmente, nem as baixas de juros, nem a ampliação da liquidez estão conseguindo reverter o ciclo deflacionista-recessivo. O Brasil, segundo Ribeiro, não é uma exceção neste cenário. Muito pelo contrário. Dado o peso das commodities, é um dos países que mais estão sofrendo os efeitos da crise mundial.

Luis Otavio de Souza Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, acredita que o BC vai cortar os juros em apenas 0,50 ponto porque ainda não deve estar convencido totalmente de que não se terá pressões inflacionárias oriundas da desvalorização cambial. " A grande questão é que os modelos tradicionais de impacto do câmbio sobre a inflação podem ser descartados, mas não podemos descartar que haverá impactos, apenas estes serão menores e demorarão mais para serem sentidos " , diz Leal. O motivo, segundo ele, é que se está claramente passando por um ciclo de estoques, o que amplifica a queda do nível de atividade e impede que a desvalorização cambial passe para os preços.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico )

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