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Análise: Sinal de corte da Selic derruba juro futuro

SÃO PAULO - Para não parecer que cedeu às pressões palacianas e dos empresários, o Copom do Banco Central tentou encontrar uma fórmula mágica que lhe permitisse formalmente manter a Selic em 13,75% e, ao mesmo tempo e informalmente, reduzir o custo do dinheiro mínimo utilizado para definir as taxas do crédito bancário. Conseguiu, mas não plenamente.

Valor Online |

O viés de baixa extra-oficialmente acrescentado à decisão de não mexer na Selic por meio do confuso e ilógico comunicado pós-Copom derrubou os juros futuros. A taxa do swap de 360 dias caiu de 12,95% para 12,81%.

Enquanto a Selic é uma meta de curto prazo, que vigora apenas até o Copom seguinte, o swap de 360 dias é de fato o juro básico da economia brasileira. Como projeta juro para o período de 12 meses, tem de incorporar a expectativa em relação ao que acontecerá com a política monetária. E o BC deixou claro que vai cortar a Selic no dia 21 de janeiro, data da primeira reunião de 2009. Mas, se ao invés de sinalizar o corte futuro, ele já tivesse diminuído a taxa anteontem mesmo o swap não teria caído ontem mais do que cedeu? Provavelmente, sim. Por isso, o efeito da poção mágica não foi completo. Mas pode ter aliviado as pressões internas e neutralizado as ameaças de retaliação.

A utilização da nota pós-Copom para comunicar ao mercado e ao governo sua intenção de reduzir a taxa no encontro seguinte - e como o Comitê não gosta de mudar as suas sinalizações, trata-se na verdade de um compromisso de corte a ser ratificado pela ata que será divulgada na quinta-feira da semana que vem - foi inovadora. Nunca antes o comunicado foi um instrumento tão explícito.

Historicamente lacônico, ao contrário dos comunicados pós-Fomc do banco central americano, ele quase nunca desempenhou missão tão nobre. Até agora, a vontade do BC era simbolicamente representada pelos placares divergentes. A rigor, apenas a ata detinha o poder de transmitir a visão prospectiva do Comitê. Mas como, na reunião de quarta-feira, precisava demonstrar coesão e um placar divergente poderia passar a idéia de um racha enfraquecedor, e como tinha pressa em derrubar o juro privado, não podendo esperar pela publicação da ata, o jeito foi redigir aquele comunicado carregado de símbolos mas desprovido de lógica. Pois quer comunicar - ao se referir à discussão sobre a possibilidade de queda imediata da Selic pela maioria dos oito integrantes do Copom - uma decisão que não foi tomada. E, que, se a situação interna e internacional mudar negativamente até o dia 21 de janeiro, jamais será tomada na prática.

O que importa é que o mercado futuro de juros da BM & F entendeu perfeitamente o que o Copom quis dizer no comunicado. As quedas foram generalizadas. O contrato mais negociado, para janeiro de 2010, caiu de 12,98% para 12,82%. A taxa para janeiro de 2011 cedeu de 13,44% para 13,37%. Para janeiro de 2012, o CDI recuou de 13,59% para 13,50%.

O declínio dos juros internos não teve influência no movimento de pesada queda registrado ontem pelo dólar. A moeda chegou a tombar 6,05%, para R$ 2,2840. E fechou em baixa de 3,53%, a R$ 2,3450. Se a tendência é de o Brasil reduzir o pagamento de juros, os investidores estrangeiros remanescentes podem tomar a decisão de sair de suas posições em Selic, o que provoca a alta do dólar, não a queda. Os fundos externos não acreditam nesse desmonte. Tanto que a baixa de ontem foi em parte atribuída a diminuição das posições " compradas " em câmbio carregadas por esses aplicadores estrangeiros. Depois de baterem em US$ 13,6 bilhões no dia 8, elas caíram para US$ 12,21 bilhões no dia 9 e para US$ 11,93 bilhões no dia 10.

O desarme das posições " compradas " e a queda internacional do dólar, motivada pela fraqueza exibida pela economia dos EUA, desestimularam a rolagem dos contratos de swaps cambiais que vencem no próximo dia 2. O BC ofereceu ontem 69,5 mil desses contratos, cujo ganho é diretamente proporcional à alta do dólar, mas as instituições só aceitaram comprar 24,4 mil, no valor de US$ 1,202 bilhão. Foi o terceiro leilão realizado pelo BC para revalidar o vencimento de US$ 9,6 bilhões. Nos três, ele vendeu o equivalente a US$ 7,4 bilhões, ou 77% do total. Se o dólar persistir em forte queda, pode não precisar rolar tudo, retirando um fator de pressão de alta sobre a moeda. O BC se mostra determinado a derrubar a cotação. Ontem, mesmo com o dólar em queda, ele desencadeou leilão de venda no meio da tarde. Colocou US$ 265 milhões, pelo preço de R$ 2,2850. Até agora já sacou das reservas US$ 10,507 bilhões.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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