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Análise: PIB negativo afasta alta de juro nos EUA

SÃO PAULO - Ainda não será desta vez que o Federal Reserve (Fed) poderá dar vazão ao seu lado hawkish. Os dados divulgados ontem sobre o PIB americano e os pedidos de auxílio-desemprego afastam qualquer possibilidade de o Fed elevar a taxa de juros básica em 0,25 ponto na reunião marcada para a próxima terça-feira. O juro primário permanecerá no patamar de 2% em que está congelado desde o encontro do Fomc de abril. Os sinais colhidos recentemente pelos mercados foram de que o Fed não precisará tomar a decisão de manter o juro em 2% contrariado, com remorso ou receio de ter optado pelo caminho errado.. O quadro já não é mais de estagflação. Trata-se de um cenário recessivo mais clássico. A inflação tende a não resistir ao desaquecimento econômico. Nem a inflação, nem os que especulam com contratos futuros de petróleo. O barril cedeu ontem 2,12% na Nymex, para US$ 124,08.

Valor Online |

As novas informações sobre a higidez da economia americana preocuparam os mercados mundo afora. E, no Brasil, exerceram mais influência sobre os vários pregões do que a ata do último Copom, previsivelmente pesada e fastidiosa. Nos EUA, ao contrário, houve novidade e das piores possíveis. Além de informar um crescimento do produto americano no segundo trimestre do ano aquém do previsto pelos analistas - projetavam alta de 2,3%, pois inflada pelos cheques de devolução de impostos, mas foi de 1,9% -, o Departamento do Comércio revisou para pior os resultados dos dois trimestres anteriores. Para o primeiro de 2008, a expansão não foi de 1% como divulgado antes, mas de 0,9%.

Notícia mais negativa ainda estava por vir: para o último trimestre de 2007, a estimativa de alta de 0,6% foi revisada para contração de 0,2%. O relatório estufou o ego dos economistas que vinham alertando o mercado para a possibilidade de a economia já estar em recessão. A retração do PIB no quarto trimestre do ano passado apenas coroa as previsões sombrias. Para os economistas modernos, não se precisa mais formalmente de dois ou três trimestres de PIB negativo para caracterizar um estado recessivo. Bastam, para tanto, dados acentuadamente ruins durante alguns meses sobre produção, vendas comerciais, emprego, e isso os apocalípticos já tinham de sobra. Mas um PIB tecnicamente negativo empina ainda mais os narizes.

O informe ruim sobre o PIB veio acompanhado por dados nada animadores relativos ao mercado de trabalho. Foram entregues mais 44 mil requerimentos de pedidos de auxílio-desemprego na semana passada, ampliando o total para 448 mil, o patamar mais elevado desde abril de 2003. Trata-se de inquietante warm up para o relatório oficial de emprego, a ser divulgado hoje. O mal-estar não foi dissipado pela boa notícia vinda dos gerentes de compra de Chicago, cujo índice de atividade do setor manufatureiro passou de 50 este mês, indicando expansão econômica. O índice PMI avançou de 49,6 em junho para 50,8 em julho, quando os analistas esperavam recuo para 49.

O comportamento dos pregões domésticos acompanhou o desconforto americano. O dólar comercial fechou o último pregão do mês em alta de 0,06%, cotado a R$ 1,5630. Essa valorização não atrapalhou em nada a comemoração dos fundos estrangeiros vendidos em derivativos cambiais na BM & F em mais de US$ 8,3 bilhões, cujos contratos serão liquidados hoje pela ptax de ontem. Isso porque, no acumulado de julho, a variação cambial foi negativa em 2,13%. Nos sete meses do ano, a desvalorização atinge 12,04%.

Os juros subiram no mercado futuro da BM & F por precaução diante da retração americana, na contração dos treasuries. Como os investidores internacionais desistiram de esperar por alta da taxa básica americana, correram comprar títulos do Tesouro de 10 anos. E as taxas caíram de 4,0488% para 3,9491%. Na BM & F, o CDI projetado para a virada do ano subiu de 13,70% para 13,71%. O contrato para janeiro de 2010 avançou de 14,84% para 14,88%. E o juro para janeiro de 2012 subiu de 14,14% para 14,15%. Nas primeiras operações do DI, já lida a ata do Copom publicada às 8h30, o comportamento dos contratos foi a mesma do exibido no dia seguinte ao da reunião: juros curtos em alta, juros longos em queda. E a justificativa, também a mesma: com um aperto mais intenso, o BC conseguirá trazer logo a inflação de 2009 para a meta de 4,5% e poderá começar a reduzir a Selic mais cedo. Mas as taxas longas começaram a subir depois de divulgados os dados do PIB americano. O Copom não descarta nova alta da Selic de 0,75 ponto na reunião de 10 de setembro, mas isso já estava no preço .

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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