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Análise: Mercado vê Copom coeso e Selic estável

SÃO PAULO - Mais vigoroso do que previam os analistas, o crescimento do PIB no terceiro trimestre do ano fornece munição ao Copom do Banco Central para que, contra as pressões, sustente decisão de manter a Selic em 13,75%. Em alta anual de 6,8%, quando se previa expansão de 5,8%, o terceiro trimestre pode afastar um resultado negativo no último trimestre do ano.

Valor Online |

A expectativa agora é de que o PIB só deve exibir um viés negativo no primeiro trimestre de 2009. Isso reforça o discurso de cautela do BC. Nota oficial emitida ontem pelo BC destinou-se, segundo analistas, a reiterar a disposição do Copom de esperar mais um pouco antes de iniciar um movimento de redução da taxa. Nela, a autoridade reitera que os efeitos da crise externa sobre o Brasil serão menos intensos e duradouros do que se imagina. Diante do PIB e da nota, o mercado passou a acreditar que Copom fará em sua reunião de hoje uma demonstração de coesão interna e repúdio às ingerências: manterá a taxa básica por placar unânime de oito a zero.

Essa crença segurou o ritmo de queda dos juros futuros. Os contratos mais negociados ainda fecharam em baixa, mas bem menores em relação às experimentadas nas duas últimas semanas. Enquanto a taxa para o final do mês caiu apenas 0,01 ponto, para 13,44%, o CDI previsto para janeiro de 2010, o mais negociado, cedeu 0,03 ponto, para 13,16%. As quedas sofridas pelos contratos mais longos também não foram expressivas. Para janeiro de 2012, a involução foi de 0,03 ponto, a 13,65%. Se a boa notícia vinda do PIB sugere a possibilidade de um adiamento de providências monetárias destinadas a suavizar o impacto da crise externa sobre a economia brasileira, a excelente notícia vinda dos índices de inflação informa que tais precauções são desnecessárias. A primeira quadrissemana de dezembro do IPC Fipe subiu 0,28%, ante 0,39% do fechamento de novembro e expectativas de 0,32%.

Se o PIB for utilizado pelo Copom como justificativa para a manutenção da política monetária, tão cedo o Brasil não perderá a condição de líder mundial na oferta de juros reais. Estudo da consultoria UP Trend envolvendo 40 países mostrou que, para abrir mão da liderança, o Copom teria de cortar hoje a Selic em 2,5 pontos. Só assim a taxa real projetada para 12 meses se reduziria ao mesmo patamar praticado pela Hungria, de 5,6%. Se o BC, como promete, preservar a taxa em 13,75%, o juro real permanecerá em 8%, destacadamente o maior do mundo.

O ranking da UP Trend revela que, depois da crise, aumentou a quantidade de países que praticam juro real negativo. Da amostra de 40, nada menos que 23 pagam juro aquém da inflação como forma de estimular a economia. E somente 16 exibem juros reais, mas muito pequenos comparativamente aos 8% do Brasil. Basta assinalar que a taxa real do quarto lugar, a Austrália, é de apenas 3%.

O indicador antecedente para o PIB desenvolvido pela LCA Consultores projeta para o quarto trimestre uma alta de 5,5% sobre o mesmo trimestre de 2007, o que corresponderia a uma estabilidade na comparação com o terceiro trimestre deste ano. Ou seja, o PIB trimestral ainda não seria negativo, um caso sui generis entre as dez maiores economias do mundo. Já para o primeiro trimestre de 2009, o modelo sinaliza uma alta de cerca de 2% sobre idêntico trimestre de 2008, o que implicaria um recuo de 0,7% sobre o quarto trimestre de 2008. Tecnicamente, o Brasil não entraria em recessão se o resultado negativo não se repetisse no segundo trimestre do ano que vem. O carry-over para 2009 pode ser de 1,4%. " O impulso com o qual a economia brasileira adentra 2009 é maior do que antes se projetava " , diz a consultoria.

Manifestações de firmeza do BC não foram exclusivas ao mercado monetário. Também no cambial, fez questão de deixar a sua marca. Talvez para desmentir as críticas segundo as quais suas intervenções no mercado de câmbio têm sido hesitantes e erráticas - às vezes pega excessivamente pesado para, noutro dia, largar o mercado a si mesmo -, ontem ele desfechou um leilão de venda de moeda justamente quando a cotação estava em baixa. Em leilão realizado às 15h30, vendeu das reservas US$ 179 milhões, ajudando a empurrar mais para baixo as cotações num dia de reduzida liquidez no interbancário. O giro foi de apenas US$ 1,49 bilhão. E o dólar fechou em desvalorização de 1,19%, a R$ 2,4710. No acumulado de dezembro, ele já vendeu US$ 2,134 bilhões. O BC iniciou ontem o processo de rolagem dos US$ 9,6 bilhões em contratos de swaps cambiais que vencem no primeiro dia útil de 2009. Ele ofereceu ontem em leilão 80 mil contratos e colocou 66,44 mil, movimentando US$ 3,218 bilhões. Só não irá rolar o restante se o dólar insistir numa vertiginosa rota declinante.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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