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Análise: Mercado já defende derrubada da Selic

SÃO PAULO - A contração da indústria, a percepção de que a economia atravessa neste exato momento uma recessão técnica e a forte deflação dos IGPs quebraram o consenso para o próximo Copom. No início da semana a aposta quase hegemônica era de que o Banco Central iria iniciar este mês o ciclo de afrouxamento monetário por meio de um corte de 0,50 ponto na taxa Selic.

Valor Online |

Depois dos dados surpreendentes divulgados esta semana, relatando um quadro recessivo pior do que o projetado, as instituições estão alterando seus prognósticos para a primeira reunião do ano do Copom, dia 21. Já se fala em redução inicial entre 0,75 e 1 ponto percentual.

As surpresas negativas sobre a virulência do contágio externo se sucedem rapidamente. Depois da alarmante retração da indústria, que forçou uma revisão para baixo na expectativa de crescimento do PIB no último trimestre de 2008 e neste primeiro de 2009 - ambos negativos, configurando uma recessão técnica -, ontem foi a vez do IGP-DI de dezembro assustar os economistas. Apontou deflação de 0,44%. O mercado já previa um número negativo, mas menos intenso, de 0,14%. Chocou o IPA, em queda de 0,88% apesar da depreciação cambial. Tudo indica que, de novembro para cá, a economia deu um cavalo-de-pau abrupto. O governo precisa sacudir consumidores e empresários para que voltem a fechar negócios. Precisa criar com urgência uma agenda de eventos positivos, capaz de infundir confiança à sociedade. De sua parte, o Banco Central não pode se limitar a promover um alargamento de liquidez. Isso só engorda o caixa dos grandes bancos, não desempoça a liquidez nem amplia a oferta de crédito. As flexibilizações de compulsório são providências de burocratas entediados. Ele precisa dar um choque positivo nos juros.

E não se pense que quem está defendendo uma posição mais firme e agressiva do BC são pós-keynesianos heterodoxos. Para, por exemplo, a MCM Consultores - encabeçada pelos economistas Cláudio Adilson Gonçalvez, José Júlio Senna e Celso Martone - a Selic deveria cair este ano três pontos. De forma gradual? " As condições macroeconômicas indicam que seria mais eficaz realizar senão todo pelo menos o grosso de tal ajuste ainda no primeiro semestre " , diz relatório da MCM. Para a consultoria, os sinais de redução das pressões inflacionárias tornaram-se bastante convincentes. Os modelos de simulação (VAR e estrutural) utilizados por ela já projetam IPCA abaixo da meta este ano. Os economistas Pedro Paulo Silveira e André Perfeito da Gradual Investimentos dizem que, diante dos novos dados, o BC não terá outra alternativa a não ser baixar - e bastante - a taxa Selic já em janeiro. " Nossa expectativa é de um corte entre 75 e 100 pontos bases na próxima reunião, e algo em torno de 250 pontos base ao longo de 2009 " , prevêem.

O dia de azedume desencadeado nos mercados internacionais pela extinção de 693 mil postos de trabalho nos EUA em dezembro, segundo pesquisa da ADP, levou o mercado brasileiro a promover uma rodada geral de realização de lucros. No mercado futuro de juros da BM & F, as projeções de CDI subiram levemente. Como não há condições macroeconômicas para o repasse cambial aos preços, mesmo que o dólar sustente o movimento de alta exibido ontem - fechou com avanço de 2,75%, cotado a R$ 2,24 -, o DI deverá retomar a tendência de queda. O contrato mais negociado, para janeiro de 2010, que fechou ontem a 12,06%, despencou de 13,14% um dia antes do último Copom (10 de dezembro) para 11,99% anteontem.

A alta do dólar até que foi suave diante dos números divulgados ontem sobre o comportamento da balança cambial no ano passado. O fluxo cambial fechou 2008 negativo em US$ 983 milhões. Desde 2002 não tinha um déficit anual. O daquele ano, conturbado pelas fugas de capital dos que consideravam Lula uma ameaça, foi bem maior, de US$ 12,9 bilhões. De 2003 a 2007, as entradas superaram as saídas em ritmo crescente até chegar ao recorde de US$ 87,4 bilhões em 2007. Se a crise atual perde para a de 2002, ganha da que, no começo de 1999, soterrou a âncora cambial brasileira. No quatro trimestre de 2008, o fluxo cambial foi negativo em US$ 18,17 bilhões. Trata-se, segundo a LCA Consultores, da maior saída líquida já registrada num trimestre desde 1980, superando os US$ 14,14 bilhões do terceiro trimestre 1998, a maior leitura até então. O mercado de câmbio avalia que os dados de fluxo dos últimos três meses exibiram, pelo retrovisor, o fundo do poço. Neste começo de 2009 há ingressos de capitais para a Bovespa e provenientes de exportadores.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico )

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