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Análise: Juros têm 7ª alta; BC só olha

SÃO PAULO - Na sétima alta consecutiva, os juros futuros responderam ontem obedientemente aos estímulos vindos do mercado futuro de petróleo da Nymex. O avanço do dólar frente ao euro depois que o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, deu uma declaração, descaracterizando a alta como o início de um ciclo de aperto, que mais parecia um arrependimento pelo fato de ter subido o juro básico europeu para 4,25% , foi interpretado como irreal e fantasioso pelos especuladores da Nymex e o barril fechou com novo recorde a US$ 145,29 (avanço de 1,20%). De manhã, os juros futuros negociados na BM & F ameaçaram, com baixas, seguir a alta internacional do dólar, mas à tarde retomaram a vinculação automática e burra com o petróleo.

Valor Online |

A disparada do juro clama por reunião extraordinária do Copom. Não é o caso, e o BC só olha. A maioria dos contratos quase fechou nas máximas do dia. Já o contrato para a virada do ano subiu de 13,43% para 13,47%, exatamente na máxima. O que vence em janeiro de 2010 avançou de 15,34% para 15,39% (teto de 15,40%). A taxa para janeiro de 2012 subiu de 0,10 ponto, para 15,35% (15,36%). A principal justificativa para a alta do juro futuro levantada pelos operadores foi a escalada do petróleo e o temor de que a economia mundial entre em período de estagflação após as Olimpíadas de Pequim. Eles até deixaram de lado o dado levemente ruim vindo da inflação paulistana. O IPC Fipe fechou junho acelerando 0,96%, já menor que a verificada em maio (1,23%), mas ainda acima da prevista pelos analistas, entre 0,90% e 0,96%.

Quem mais está ganhando com a ascensão sem fim dos juros futuros são as tesourarias dos bancos. Elas, segundo o site da BM & F, são os principais players comprados em taxa, os que ganham com a alta dos juros. Pela última posição conhecida, relativa ao dia 2, estavam compradas em R$ 98 bilhões. Na ponta oposta, estranhamente figuram os investidores estrangeiros. Estão vendidos em taxa em R$ 109,5 bilhões. Haveria uma explica técnica e lógica se eles estivessem, concomitantemente, comprados em dólar futuro. Não é o que acontece.

Como lembra o economista-chefe da CMA Análises, Luiz Rogê, em março e abril os fundos estrangeiros assumiram a posição casada vendida em taxa e comprada em dólar, o que tipifica uma aplicação em cupom cambial. Mas, a partir do final de maio, a posição de dólar virou vendedora, descaracterizando essa possibilidade a partir de então, o que não aconteceu com o DI. Então é possível que as apostas mais recentes sejam secas mesmo, na venda de taxa , diz o economista. Pela posição do dia 2, os estrangeiros estão vendidos em dólar no montante de US$ 5,22 bilhões. Se a aposta do capital estrangeiro é de estouro da bolha de petróleo, precisam dar um jeito de furá-la logo porque uma aposta seca requer muito acerto custoso de margem.

O dólar fechou ontem em alta de 0,49%, para R$ 1,6110, refletindo a alta externa e a demanda aquecida por parte dos investidores estrangeiros que vendem ações na Bovespa e vão atrás do ganho fácil do petróleo. Nos três primeiros pregões de julho, o índice derreteu 8,83%. A tendência da moeda, lá fora e aqui, ainda é de enfraquecimento. Os indicadores divulgados ontem sobre a economia americana, antes de os mercados fecharem mais cedo para comemorar o feriadão de 4 de Julho, postergam o início do aperto monetário nos EUA.

O payroll, o relatório oficial de emprego, mostrou uma economia ainda debilitada. Foram extintos em junho 62 mil postos de trabalho (7 mil a mais do que previam os analistas), ampliando para 438 mil as vagas perdidas no primeiro semestre do ano. O mercado de trabalho americano ainda falha em dar sinais de recuperação e o setor é o mais importante para a saída da atual crise, pois 70% do PIB americano sofrem influência direta do consumo , diz Jason Vieira, diretor da consultoria UP Trend.

O índice ISM de serviços foi na mesma direção, ao registrar retração aos 48,2 pontos e permaneceu na tendência oposta da manifestada pelo setor manufatureiro, que este mês registrou expansão de 50,2 pontos. O mercado projetava expansão de 51,50 pontos e o revés foi principalmente causado pela redução no número de encomendas e o aumento do custo de energia, concentrado em combustíveis , observa Vieira. Sinais de retração nos EUA adiam o retorno dos aumentos de juros por parte do Federal Reserve e, com isso, o dólar perde força globalmente. No entender do economista, no curto prazo, o mau humor atinge o dólar com altas, porém a tendência de desvalorização da moeda aumenta no médio prazo.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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