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Análise: Juro longo acelera queda na BM F

SÃO PAULO - Do último Copom (23 de julho) até ontem, o mercado futuro de juros da BM & F traçou uma trilha de alta para as taxas de curto prazo e de queda para as de longo prazo. Enquanto o CDI esperado para a virada do ano subiu de 13,52% para 13,88%, a taxa para janeiro de 2010 cedeu de 14,91% para 14,68% e o juro previsto para janeiro de 2011 recuou de 14,82% para 14,24%. Nesse deslocamento antagônico, o DI futuro manda vários recados: a taxa longa cai por causa da maior austeridade monetária de curto prazo do BC e pelo estouro da bolha de commodities em face da desaceleração econômica global; a taxa curta sobe por causa da obsessão da autoridade em trazer a inflação de volta ao centro da meta já em 2009, ou seja, a despeito da inflação corrente mais baixa o BC irá manter a velocidade de alta da Selic em elevado 0,75 ponto.

Valor Online |

Nos dois deslocamentos, constata-se a preservação da credibilidade do BC junto às instituições financeiras. Mas as coincidências terminam aí. Ao longo de agosto - mês caracterizado por fortes quedas do petróleo, das commodities e dos índices de inflação - os players do DI aumentaram suas fichas nas pontas tradicionalmente preferidas por cada um deles. As tesourarias de bancos reforçaram suas posições compradas em taxa, as que ganham se a Selic subir mais do que está sendo previsto pela média do mercado. Elas passaram de R$ 164,94 bilhões no dia 4 para R$ 183,42 bilhões na segunda-feira, dia 25. Os dois outros grandes players ampliaram suas posições vendidas em taxas, cujos contratos serão lucrativos se o Copom subir a Selic menos do que está sendo estimado. O posicionamento vendido dos fundos nacionais cresceu de R$ 70,02 bilhões para R$ 87,89 bilhões. O dos fundos estrangeiros passou de R$ 121,27 bilhões para R$ 124,22 bilhões.

O comportamento exibido ontem pelos juros futuros foi típico do experimentado ao longo do mês. A taxa para a virada do mês sustentou-se em patamar elevado (13,88%), enquanto a longa recuou. O CDI para janeiro de 2010 cedeu de 14,73% para 14,68%. O DI respeitou a rota traçada no mês apesar das tendências díspares mostradas pelos mercados externos. Os pregões não seguiram o figurino segundo o qual em dia de valorização do dólar o petróleo cai. O dólar subiu frente ao euro por causa da debilidade (queda de 0,50% no PIB do segundo trimestre) da economia alemã e dos sinais contidas na ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed) de que o próximo movimento monetário, a ser tomado no fim do ano ou no começo do próximo, será de alta do juro. Apesar disso, o petróleo subiu na Nymex. Preocupados com os riscos à produção no Golfo do México derivados da passagem do furacão Gustav, os investidores puxaram a cotação do barril em 1,01%, para US$ 116,27. No Brasil, o dólar foi negociado em alta na maior parte do dia, mas fechou com leve baixa de 0,06%, cotado a R$ 1,6320.

A economia dos EUA se revela de fato melhor que as da Europa e do Japão. O instituto Conference Board divulgou ontem seu índice de confiança do consumidor americano. Depois de uma recuperação tímida em julho, o indicador que afere o sentimento do consumidor avançou a 56,9 este mês, vindo de 51,9 em julho. Outro indicador positivo veio do crítico setor imobiliário. As vendas de casas novas nos EUA cresceram 2,4% em julho, para uma taxa anual de 515 mil unidades, ante a marca de 503 mil moradias registradas em junho.

Os mercados internacionais não esperavam grandes indicações da ata do Fomc divulgada ontem. Afinal, o último discurso de Ben Bernanke, proferido na sexta-feira, havia sido muito explícito em assegurar que tão cedo o juro básico não sairia dos atuais 2%. Mas o documento surpreendeu no sentido contrário. Segundo ele, vários participantes mostraram preocupação com a possibilidade de o núcleo da inflação não se moderar no próximo ano, a não ser que a posição da política monetária seja apertada mais cedo do que os mercados financeiros prevêem atualmente . Isso é um claro sinal de alta do juro. Outro, na mesma direção, assegurava que a maioria dos membros não via a atual posição da política como particularmente acomodatícia, tendo em vista que muitas famílias e empresas estavam diante de custos elevados para empréstimos e disponibilidade reduzida de crédito, por causa dos efeitos dos estresses no mercado financeiro e também dos riscos macroeconômicos . Outro, mais enfático ainda: Embora os membros em geral antecipassem que a próxima alteração na política provavelmente será um aperto, o momento e a extensão de qualquer mudança na posição da política dependeriam da evolução dos acontecimentos econômicos .

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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