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Análise: Juro infla junto com bolha do petróleo

SÃO PAULO - Perdido entre toneladas de dados, indicadores e análises contraditórios e dessimétricos, o mercado futuro de juros da BM & F escolheu, para guiá-lo, a bússola mais inconfiável e perigosa que há hoje: o mercado de petróleo nova-iorquino. Os contratos de CDI futuro negociados na BM & F vêm acompanhando, em tempo real, todas as oscilações de preço verificadas na cotação futura do barril de petróleo transacionado na Nymex. O raciocínio é o de que a inflação global (e a brasileira, apesar do diminuto repasse nominal à gasolina e ao diesel) está diretamente associada à disparada do petróleo e, por isso, as cotações condicionam a política monetária do Copom. É mais fácil acoplar o DI à bolha flutuante do petróleo do que tentar entender os dados inconsistentes e inconclusivos sobre a economia mundial ou tomar partido ativo (pondo dinheiro do próprio bolso) no debate sobre a existência ou não de uma febre puramente especulativa, sem base na realidade, a jogar para cima os preços das commodities e do petróleo.

Valor Online |

O fato é que os DIs subiram ontem quando o petróleo avançava e recuavam quando o barril cedia em Nova York. O pico da alta do DI, ocorrida um pouco antes do almoço, coincidiu com a alta de 1,65% registrada na mesma hora pelo petróleo, a US$ 142,30. O DI mais negociado, para janeiro de 2010, fechou com avanço modesto de 0,05 ponto, para 15,19%, porque a alta do óleo no fechamento foi de apenas 0,69%, a US$ 140,97.

A trilha do DI teria sido de baixa se confiasse na influência sobre o ânimo do Banco Central de sólidos dados domésticos sinalizando desaceleração tanto da inflação quanto da produção industrial. O IPC-S de até 30 de junho caiu para 0,77% ante 0,89% na leitura semanal anterior. A mediana das expectativas indica recuo mas para 0,78%. E, segundo o IBGE, a atividade industrial cedeu 0,50% em maio sobre abril, quando a aposta consensual dos analistas era alta de 0,30%. Comparativamente a maio do ano passado, a alta foi modestíssima, de apenas 2,4% (previsão de 3,10%). Cadê a inflação de demanda que assola o país no entender do BC e seus seguidores no mercado? Pior de tudo: a produção do setor de bens de capital acusou tombo de 4,9% em maio sobre abril.

É o fim do ciclo recente de investimentos produtivos? A primeira providência que um empresário toma depois que o BC inicia um movimento de alta da Selic, cujo fim não se vislumbra, é suspender novas encomendas de máquinas e equipamentos. A indústria de bens de capital é a primeira a acusar o arrocho monetário. Mas quem mais entende de indústria - o IEDI - prefere não arriscar. Se isto está ou não refletindo uma menor intensidade com que cresce o investimento na economia, ou se é decorrência de uma maior competição do produto importado favorecido pela valorização da moeda, ou ainda, se se trata tão-somente de um ponto fora da curva, não é possível por enquanto saber ao certo, mas é possível que um pouco de todos esses fatores estejam na base da explicação do resultado , diz relatório do instituto. De qualquer forma, a indústria não pode ser responsabilizada pela inflação de demanda .

Os números brasileiros reforçam a variante analítica que mais cresce hoje, a que prevê o estouro da bolha do petróleo antes de o barril atingir o preço/alvo dos hedge funds, de US$ 170,00. A mudança de patamar da inflação não é mais nenhuma novidade global. Os sinais mais insistentes e aflitivos são agora de que a economia global, puxada pela Europa (tecnicamente, a Dinamarca já está em recessão), entrará em recessão. A China só resistirá até o final das Olimpíadas. Talvez até antes disso, os indicadores antecedentes tratarão de retirar fundamento da escalada do petróleo. Este perderá um dos seus fundamentos, o crescimento mundial. Sozinho, o segundo - o dólar enfraquecido por juros baixos - será incapaz de evitar o furo da bolha. De acordo com o economista da Pentágono Asset, Marcelo Ribeiro, para se sustentar como ativo real , o Brasil precisa de um fundamento a mais além dos dois requeridos pelo petróleo: a moeda brasileira precisa estar isolada das pressões inflacionárias globais. Dois dos três pilares que seguram o Brasil estão rachados , diz Ribeiro.

Não é por outra razão que sumiram da praça as análises sobre reapreciação cambial após o investment grade. O dólar iniciou o segundo semestre do ano em alta de 0,50%, cotado a R$ 1,6050, não obstante ter sido registrado o fechamento de um megacontrato de exportação no valor de US$ 120 milhões. Os hedge funds estão reduzindo suas posições vendidas em dólar. Elas caíram de US$ 6,77 bilhões no dia 25 para US$ 3,24 bilhões no dia 30.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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