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Análise: Já em 6,9%, juro real precisa cair mais

SÃO PAULO - O mercado futuro de juros da BM & F toma fôlego para mais uma rodada de queda das taxas de juros nesta reta final do ano. O pregão resolveu realizar lucro na sexta-feira para abrir espaço a novas baixas.

Valor Online |

Após declínio persistente e pesado nas três ultimas semanas, as projeções de CDI fecharam a semana em alta. A taxa do swap de 360 dias avançou de 12,35% para 12,48%. Com isso, o juro real projetado para os próximos 12 meses subiu a 6,91%, ainda assim muito baixo. Para se ter uma idéia da magnitude do desabamento, basta lembrar que no final de outubro, esse juro ex-ante (o mais utilizado pelo mercado) estava em 10,54%. O problema é que esses 6,91% ainda parecem insuficientes para impedir uma desaceleração mais intensa da economia no ano que vem.

Carlos Thadeu de Freitas Gomes Filho, economista-chefe da SLW Asset, observa que para ajudar a acelerar o PIB a 6,8% em 2007 o juro real precisou cair para a faixa entre 7% e 8%. Como a taxa real projetada agora já está em 6,91%, seria possível afirmar que esse patamar já estimula em alguma intensidade a economia? " O mais provável é que seja necessário ir além do nível verificado em 2007. A taxa de juros internacional recuou, há distorções no mercado de crédito e reversão abrupta nos projetos de investimentos " , compara Gomes Filho. O Copom começará logo a cortar a Selic, estimulando novas baixas da taxa real. Só não reduzirá o juro com muita sofreguidão por duas razões. A primeira é que o Brasil ainda vive situação privilegiada comparativamente aos demais emergentes. A inflação medida pelo IPCA deve encerrar o ano com variação de 6,1% contra uma média de 8,3% dos países emergentes. Ao mesmo tempo em que a economia brasileira contabilizou inflação inferior aos seus pares, o PIB também registrou, segundo Gomes Filho, um desempenho superior (5,7% ante 4,1%). A segunda são os " sinais contraditórios " vistos pelo BC nas estimativas de inflação, ampliando as incertezas.

A maior das incertezas consiste na possibilidade de repasse da depreciação cambial depois que se esgotarem os estoques. Na visão do economista da SLW, a crise está encadeando momentos distintos na dinâmica inflacionária. Há uma desaceleração intensa no atacado. Gomes projeta deflação para dezembro, janeiro e fevereiro. Ao longo do primeiro trimestre de 2009 os preços no varejo devem desacelerar. Os custos dos insumos percebidos pelo atacado estão desabando com o declínio das commodities, mas ainda vai levar algum tempo para chegar ao varejo. Se o passado fosse útil como base para avaliar o repasse cambial , a inflação já deveria estar bombando. " Há, porém, outros fatores que podem estar justificando esse comportamento benéfico da inflação " , diz ele.

A evidência de que houve acúmulo de estoques no segundo semestre do ano e a percepção dos empresários de que a economia vai desaquecer estão gerando um processo de queima de estoques, reprimindo por algum tempo o repasse do câmbio. Pode ser que o processo de queima de estoques permita que a queda dos insumos chegue ao varejo e torne o repasse definitivamente contido. " Mas o grau de repasse só será de fato conhecido ao fim do primeiro trimestre de 2009 " , diz Gomes. E isso enferruja a tesoura de corte do BC. Quem pode azeitá-la é a Petrobras. Gomes reviu a projeção de IPCA para o ano que vem de 5,5% para 5%, assumindo queda de 10% no preço da gasolina na bomba. Se o gap do preço do combustível no mercado doméstico for zerado por completo, a inflação pode ficar abaixo da meta central, facilitando o trabalho da política monetária.

Para que possa promover os cortes necessários na Selic, o BC não pode despregar os olhos do mercado de câmbio. A vigilância precisa ser perene e estrita porque os especuladores podem promover estragos consideráveis em questão de segundos. Foi o que se tentou fazer na manhã de sexta-feira. Para chamar novos leilões de swaps cambiais, o dólar foi jogado a R$ 2,4710, uma arrancada de 4,75%. O BC ignorou o desafio e a moeda perdeu força. Fechou o dia em alta de apenas 0,04%, a R$ 2,36.

As puxadas artificiais de preço podem ficar mais fáceis nesses pregões finais do ano por causa do encurtamento da liquidez. Isso porque, nos dias em que a liquidez à vista é elevada, as condições imprescindíveis às armações diminuem. Apesar de o fluxo cambial ter sido negativo em US$ 2,3 bilhões nos três primeiros dias da semana passada, a cotação do dólar caiu de R$ 2,39 para R$ 2,36. " A liquidez do mercado cambial, que tem se ampliado gradualmente, exerce maior influência sobre a taxa de câmbio do que a direção e a intensidade do fluxo em si " , diz relatório da LCA.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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