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Análise: Índices da semana definem pré-Copom

SÃO PAULO - O consenso de apostas para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para o dia 23, será fechado nesta segunda semana de julho, pois ela concentra a divulgação de importantes dados sobre a inflação, atualmente a maior preocupação dos mercados. O evento mais relevante, a divulgação pelo IBGE do IPCA (índice oficial de inflação) de junho, acontecerá na quinta-feira. Mas, antes e depois, acontecerão outros aos quais os pregões irão dar muita atenção.

Valor Online |

Hoje será publicado o Boletim Focus do BC e se espera que, pela 15ª semana consecutiva, a expectativa de IPCA para 2008 seja revista para cima. A última estava em 6,30%, e pode agora encostar um pouco mais no teto de 6,5% da banda de flutuação. Amanhã, o destaque é a divulgação da primeira quadrissemana de julho do IPC-S da FGV.

Na quarta-feira, feriado Constitucionalista de São Paulo, sai no Rio o IGP-DI de junho, para o qual a previsão dos economistas não é nada animadora, alta de 1,95%, ante 1,88% em maio. E a semana termina com a divulgação das primeiras prévias de julho tanto do IPC Fipe quanto do IGP-M.

Será surpreendente para a maioria dos analistas se algum desses índices sinalizar desaceleração consistente da escalada inflacionária. Vale dizer, tendem a alimentar a febre altista do juros futuros. As taxas embutidas nos contratos futuros negociados na BM & F não interromperam a alta mesmo em um pregão sem liquidez e novas informações relevantes como o de sexta-feira, esvaziado pelo feriadão da Independência dos EUA. O contrato-referência, com vencimento em janeiro de 2010, subiu de 15,39% para 15,47%, na oitava alta em seqüência. Durante esse período, a taxa pulou de 14,75% para 15,47%, quase o 0,75 ponto de alta esperada pela maioria dos tesoureiros para a Selic na reunião do Copom do dia 23.

Para que o mercado volte a apostar na manutenção do ritmo de alta de 0,50 ponto das reuniões anteriores - tanto do encontro de 16 de abril, que iniciou o atual ciclo de aperto monetário, quanto da reunião de 4 de junho, que o continuou -, sobretudo o IPCA terá de vir bem abaixo das previsões dos economistas. Mas qual previsão? O IPCA de maio exibiu alta de 0,79%. O IPCA-15 de junho, uma prévia do índice pleno veio acelerando a 0,90% e foi o principal desencadeador do frenesi de alta do DI futuro. Mas a última mediana do Focus ainda sustentava um agregado de 0,70% para o fechado do mês. Entre a segunda-feira da semana passada e a sexta, o mercado refletiu melhor e agora prevê algo entre 0,78% e 0,80%. Então, para ter impacto real sobre as expectativas e mudar a direção dos juros futuros, o índice tem de ficar abaixo de 0,70%.

Entrevistado pelo repórter Eduardo Campos, do Valor Online, o diretor da consultoria UP Trend, Jason Vieira, acredita que alguns analistas estão se precipitando na aposta de aceleração no ritmo de alta da Selic, de 0,50 ponto para 0,75 ponto por reunião. Para o economista, tanto o IPCA quanto o IGP-DI devem apresentar um arrefecimento de preços, principalmente de alimentos, em comparação com as medições anteriores. E se esse cenário perdurar até a reunião do Copom, não tem por que subir o juro de forma mais acentuada , afirma.

Uma parte considerável dos players do mercado futuro de juros já não está conferindo, na hora de montar operações, muita pertinência aos índices sobre a inflação corrente. Preferem seguir exclusivamente a direção apontada pelo mercado futuro de petróleo. Enquanto o barril estiver subindo, eu estarei comprando taxa , diz operador de mesa de banco. Na sexta-feira, a regra foi rompida já que, na ausência da Nymex, em Londres o Brent caiu US$ 1,66, para US$ 144,42, e mesmo assim o DI futuro avançou mais um pouco. A vinculação com o petróleo se explica pelo fato de que a sua disparada e a das commodities agrícolas estão na raiz de um processo inflacionário que é global.

Segundo o economista Luis Otavio de Souza Leal, do banco ABC Brasil, dos 43 países mais significativos do mundo apenas um, a Hungria, registra este ano taxa de inflação menor que a de 2007. E dois podem ser considerados com a inflação estável, o Canadá e a Colômbia. Enquanto no ano passado apenas a Ucrânia tinha a inflação em dois dígitos, agora tem-se 11 países nesse grupo. Para Leal, a causa básica da inflação mundial deve ser buscada na expansão da liquidez decorrente dos juros muito baixos e das operações de socorro a instituições.

Nos EUA, os destaques da semana são os dados de crédito ao consumidor, o relatório de orçamento do Tesouro e o índice de preços de importação e, na Europa, a decisão da taxa básica de juros pelo Banco Central Inglês (BoE), na quinta-feira.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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