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Análise: IGP-M pede corte da Selic. ´Vendido´ festeja

SÃO PAULO - A abrupta e vigorosa desaceleração do IGP-M deu razão e força à ala do mercado que defende um corte imediato da taxa Selic. O indicador acusou alta de 0,38% em novembro, ante 0,98% em outubro e estimativa Focus de 0,67%.

Valor Online |

Ninguém esperava um índice tão baixo. Derrubado pelas commodities agrícolas e pela descompressão dos preços industriais, o IGP-M mostrou que ninguém precisa temer os efeitos da desvalorização cambial sobre a inflação. O Copom estaria liberado para, sem medo de repiques inflacionários, voltar a reduzir a Selic e, com isso, tornar viável a meta governamental de crescimento do PIB em 2009, de 4%.

" Nos preços dos produtos agrícolas, a descompressão das cotações de boa parte das commodities sobrepôs-se à desvalorização cambial recente " , diz estudo da LCA. Já o conjunto dos produtos industriais, a despeito do alívio constatado em novembro, ainda carrega, segundo a consultoria, os efeitos das fortes elevações das cotações de importantes commodities registradas no primeiro semestre do ano. A evolução mais modesta da atividade econômica, associada ao atual desafogo de boa parte das commodities, poderá contudo " mitigar futuros repasses " . Do piso do ano (R$ 1,5590, no fechamento do dia 1º de agosto) até ontem (R$ 2,2810), o dólar valorizou-se 46,3%.

Os informes inflacionários tranqüilizadores confirmam a visão dos " vendidos em taxa " no mercado futuro de juros da BM & F. São eles os investidores estrangeiros (R$ 113 bilhões em posição vendida em CDI futuro) e os fundos nacionais (R$ 35,13 bilhões). Os fundos de capital externo adotam aqui a mesma posição assumida globalmente: para combater os efeitos recessivos da crise financeira, os bancos centrais precisam cortar os juros. Não consideram o Brasil um país " diferente " dos demais, um caso sui generis. É por isso que a aposta líquida é de uma redução do juro básico já na próxima reunião do Copom, dia 10 de dezembro. Os " comprados em taxa " discordam. São eles os bancos, com caixa comprado em DI futuro no valor de R$ 111,81 bilhões. Eles argumentam que os impactos nocivos da crise sobre a inflação ainda não chegaram plenamente ao consumidor. Mesmo o IGP-M muito baixo divulgado ontem seria uma prova de que as decisões de política monetária devem ser pautadas pela cautela. Afinal, a parte minoritária do IGP-M composta pelos preços ao consumidor apresentou aceleração de 0,25% em outubro para 0,52% em novembro.

O embate entre " comprados " e " vendidos " não permitiu que os contratos de DI futuro seguissem ontem um mesmo rumo. A baixa liquidez - foram negociados apenas 303 mil contratos - decorrente da falta de notícias do mercado americano, fechado ontem por causa do feriado do Dia de Ação de Graças, ajudou na conduta assimetria dos contratos. Enquanto o contrato mais negociado, para janeiro de 2009, caiu de 13,61% para 13,56%, a taxa para janeiro de 2010 avançou de 14,61% para 14,64%. Mesmo nos contratos mais longos prevaleceu a divergência. Para janeiro de 2011, a estimativa subiu de 15,29% para 15,33%, mas caiu de 15,62% para 15,56% para janeiro de 2012.

Após sequência de três quedas, o dólar fechou ontem em alta de 0,26%, cotado a R$ 2,2810. Até que para um dia de feriado nos EUA o giro no interbancário de dólar, ao redor de US$ 2,2 bilhões, não foi tão ruim. Mas não se pode dizer que a alta decorreu de puxada especulativa comandada pelo " comprados " em dólar futuro na BM & F. Apesar da desvalorização registrada esta semana, no acumulado de novembro a vitória deles é absoluta. Do início do mês até ontem a alta foi de 5,6%. Os " comprados " em dólar futuro são os investidores estrangeiros (US$ 13,75 bilhões) e os fundos nacionais (US$ 1,58 bilhões). Os " vendidos " são os bancos instalados aqui, com posição de US$ 18,81 bilhões. Não se pode dizer também que, mesmo " vendidos " , os bancos vão desenvolver hoje, último dia útil de novembro, esforços especiais destinados a derrubar a moeda americana. Na verdade, não se sabe ao certo quanto das posições são de suas próprias tesourarias e quanto de clientes. E, liquidamente, considerando todas as posições à vista e no futuro, os bancos também estão " comprados " em dólar.

O grande " vendido " do mercado é mesmo o Banco Central. Ele não fez ontem a tradicional operação de venda de swaps cambiais. Com exceção do feriado de 20 de novembro, vendeu esses papéis continuamente desde 6 de outubro. Para o diretor da NGO Câmbio, Sidnei Nehme, a sua ausência não pode ser considerada um mal. Na sua visão, o swap cambial, ao dar " liquidez " aos players, favorece a volatilidade e, consequentemente, as armações dos especuladores.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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