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Análise: IGP-DI surpreende e derruba juro futuro

SÃO PAULO - Mais um índice de inflação contrariou as expectativas do mercado. Os economistas acertam a tendência - de alta ou de queda -, mas costumam errar na dose. Que a inflação iria perder vigor em julho, os analistas já sabiam. Mas não apostavam em desaceleração tão intensa. Depois do IPC Fipe, ontem foi a vez do IGP-DI. O mercado tinha consciência de que, após o 1,89% de junho, o impulso de alta arrefeceria, mas a mediana do Focus esperava recuo para 1,47%. Deu 1,12%. Todos os três componentes do índice (atacado, varejo e construção) cederam em um ritmo não imaginado. Se o mercado não consegue acertar a inflação corrente, que qualidade esperar das projeções para 2009, em relação às quais é definido pelo Copom o grau de aperto da política monetária?

Valor Online |

Desde abril, o Copom já subiu a Selic de 11,25% para 13%. Foram duas altas de 0,50 ponto e uma terceira de 0,75 ponto. E a queda da inflação não tem nada a ver com isso. É importante ressaltar que a queda ainda não pode ser creditada ao aperto monetário do Copom, que praticamente não alcança o item alimentos, mas evita a propagação pela economia do sentimento negativo de que há inflação. Com isso, o aperto tende a inibir o consumo ao tornar a população mais cautelosa , diz o diretor da NGO Câmbio, Sidnei Nehme.

Relatório da MCM Associados constata a existência de sinais de que a demanda estaria crescendo em menor ritmo: redução da confiança de consumidores e empresários, ligeira desaceleração das vendas no comércio e menor expansão do crédito à pessoa física. Como a defasagem no efeito da política monetária é da ordem de nove meses e como os primeiros impactos começam a aparecer a partir do terceiro ou quarto mês do aperto (iniciado pelo Copom em abril), os sinais observados até aqui podem referir-se ainda ao efeito da aceleração inflacionária sobre a demanda, a exemplo do que tem ocorrido na economia mundial.

É provável que, já no terceiro trimestre, esses sinais de contenção de demanda se ampliem e fique mais claro o efeito da política monetária. Somente então será possível avaliar com maior confiança um cenário alternativo em que o ciclo de aperto seja mais curto do que o que assumimos neste momento , diz a MCM, cujo cenário-base projeta Selic de 15% em dezembro, estabilidade da taxa nesse patamar até outubro de 2009, com queda posterior para 14% no final do ano que vem. Mas a consultoria frisa que o desaperto poderá começar mais cedo. Num cenário otimista, em que há convergência das expectativas de inflação para 5% no próximo ano, a taxa de inflação prevista por nosso modelo VAR (com juro de 15% ao ano) ficaria abaixo de 4,5% em 2010. Neste cenário, seria possível ao BC antecipar a queda , diz o estudo.

Se o BC pode antecipar a queda lá no futuro, o juro futuro cai hoje mesmo. Foi o que aconteceu ontem no pregão de DI futuro da BM & F. As taxas longas cederam mais que as curtas. Enquanto o CDI para a virada do ano recuou somente de 13,74% para 13,72% (evidência de que os tesoureiros não acreditam que o Copom irá se comover com o arrefecimento da inflação e voltar ao ritmo de 0,50 ponto que prevaleceu no início do ciclo de aperto), a taxa para janeiro de 2010 tombou de 14,70% para 14,63%. Piso referencial do crédito, o juro para um ano caiu expressivamente de 14,59% para 14,49%.

A perda de vigor da inflação surpreende tanto o mercado que o juro futuro cai a despeito da alta do dólar. A acelerada desmontagem das posições vendidas em dólar na BM & F persistiu ontem. E a moeda fechou em valorização de 0,25%, cotada a R$ 1,5780. O ritmo de saída do capital estrangeiro impressiona. A posição líquida (entre dólar futuro e cupom cambial) vendida emagreceu mais US$ 1,38 bilhão anteontem, caindo de US$ 4,58 bilhões para US$ 3,203 bilhões. Estava em US$ 8,55 bilhões no dia 29.

A alta do dólar no mercado internacional e o esvaziamento gradual da bolha de commodities estão na raiz da fuga. Ontem, o barril de petróleo caiu US$ 0,58 na Nymex, já a US$ 118,58. E não é só no mercado futuro que há fuga de capital. A balança cambial exibiu em julho déficit de US$ 2,49 bilhões. Se o fluxo cambial foi negativo no mês passado, mas o BC continuou comprando moeda no mercado à vista para aumentar as reservas internacionais, na verdade ele adquiriu posições compradas carregadas por bancos no mercado à vista. Tanto é que estas posições recuaram de US$ 7,34 bilhões no final de junho para US$ 2,99 bilhões no fim de julho.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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