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Análise: ´Hedge fund´ já aposta contra o dólar

SÃO PAULO - A economia americana está em recuperação. A segunda prévia do crescimento registrado pelo PIB dos EUA no segundo trimestre do ano reforçou a direção de retomada já indicada anteriormente por informes do setor imobiliário, de bens duráveis e sentimento do consumidor. A confirmação virá, em algum momento, do mercado de trabalho. A contrapartida será a necessidade de combater a inflação por meio de uma elevação de juros. Isso só reforçará a tendência de fortalecimento do dólar tomada ontem depois que o dado do PIB trimestral foi revisado de uma alta de 1,9% para imprevistos 3,3%, quando os analistas esperavam avanço de 2,7%.

Valor Online |

Os hedge funds especializados em negociar contratos futuros de petróleo ficaram tão surpresos com a expansão do PIB que não conseguiram manter o pique da alta apesar da aproximação da tempestade tropical Gustav do Golfo do México. O barril cedeu 2,16%, para US$ 115,59, apesar dos indícios de que Gustav pode se transformar em furação. Depois da Jamaica, a sua trajetória o levará às ilhas Cayman e Cuba, afetando os estados americanos da região do Golfo. Os alertas contra a ferocidade de Gustav forçaram os estados da Louisiana, Texas, Missouri e Alabama a atualizar seus planos de emergência. As plataformas petrolíferas localizadas no Golfo podem ser evacuadas até domingo. Mas ontem, na Nymex, não foi um dia dedicado a potenciais estragos que poderão ser causados pelo furacão.

O resultado do PIB demonstra que a economia americana pode estar entrando em fase de recuperação, embora os pedidos de seguro desemprego da semana passada ainda tenham registrado 425.000 solicitações acumuladas, um pouco acima dos 400.000 que, para analistas, confirmam o estado recessivo. Mas a situação dos EUA está melhor que a européia e japonesa , compara o economista Sidnei Nehme, diretor da NGO Câmbio. Nessa hipótese, os investidores perdem o medo do risco, saem das aplicações a salvo de turbulências mas que pagam juro negativo e voltam a se enveredar pelos países emergentes.

É o que estão fazendo os hedge funds no Brasil. Embora as commodities (o índice CRB de 19 commodities caiu ontem 1,91%) e o petróleo tenham recuado como reflexo da valorização do dólar nas principais praças globais, os fundos mais agressivos já detectaram a possibilidade de lucros vantajosos nas velhas operações de carry-trade, de venda de dólar e compra de real. Foi por isso que a posição dos investidores estrangeiros em derivativos cambiais na BM & F já está, desde quarta-feira, vendida em dólar.

A posição compradora líquida em cupom cambial e dólar futuro foi sendo reduzida todos os dias ao longo da segunda quinzena de agosto e, de terça para quarta-feira, o posicionamento passou de comprado em US$ 195 milhões para vendido em US$ 2,19 bilhões. Se essas posições se ampliarem mais um pouco, logo o dólar irá parar se seguir aqui a tendência internacional de alta. Ontem, a moeda fechou cotada a R$ 1,6320, com valorização de 0,61%, para acompanhar a alta externa.

Os juros longos negociados no mercado futuro da BM & F tomaram como referencial os efeitos positivos sobre a inflação das baixas sofridas pelas commodities e pelo petróleo. E deixaram de lado o impacto negativo da desvalorização cambial. O contrato para janeiro de 2010, o mais negociado, recuou de 14,69% para 14,68%, enquanto a taxa prevista para janeiro de 2011 cedeu de 14,26% para 14,23%. Já os contratos com vencimento no curto prazo subiram, em sintonia com os novos sinais emitidos pelo Banco Central segundo os quais a pesada queda da inflação corrente não será suficiente para demovê-lo da intenção de elevar a Selic de 13% para 13,75% na reunião do Copom do dia 10 de setembro. O contrato com vencimento na virada de setembro para outubro avançou 0,02 ponto, para 12,87%. O CDI previsto para o fim de outubro subiu 0,01 ponto, a 13,27%. A taxa para novembro passou de 13,44% para 13,48%. O contrato que serviu de divisor entre a parte curta da curva que subia e a longa que caia foi justamente o que reflete o CDI para a virada do ano, estável em 13,90%.

Pata o BC não basta a deflação no atacado e o recuo nas expectativas futuras de IPCA. Segundo ele, há hoje um desequilíbrio inflacionário entre oferta e demanda. E não há tempo para se esperar que a primeira cresça. Será necessário desaquecer a segunda. Não vai ser fácil conseguir isso. A confiança da indústria, a despeito do arrocho monetário, cresceu este mês para 122,8 ponto, ante 121,5 em julho.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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