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Análise: ´Hedge fund´ aposta em Copom gradual

SÃO PAULO - Na véspera do Copom, os juros longos caíram no mercado futuro da BM & F. A queda das commodities e do petróleo esfriou as apostas de aceleração da velocidade de alta da Selic feitas por tesoureiros de bancos. Se o Copom mantiver o ritmo de elevação da taxa básica no mesmo 0,50 ponto com o qual iniciou o atual ciclo de aperto, na reunião de abril, os vitoriosos serão os investidores estrangeiros. Os fundos externos estão vendidos em taxa no impressionante volume de R$ 109, 15 bilhões. E os perdedores serão as tesourarias de bancos ( comprados em R$ 76,54 bilhões) e os fundos nacionais (R$ 6,64 bilhões). Estes dois últimos players ganharão se o Banco Central apressar o passo monetário e subir a Selic para 13%.

Valor Online |

No último pregão antes do Copom, os participantes comprados tentaram fechar as pontas para diminuir perdas em caso de decisão unânime dos oito membros do Comitê em favor da continuidade da estratégia monetária gradualista. Para tanto, cruzaram posicionamentos opostos entre contratos curtos e longos. Foi por isso que o pregão registrou direções assimétricas para vencimentos importantes. Enquanto os contratos mais negociadas da banda mais curta subiram, os mais longos e dotados de liquidez caíram. Para a próxima virada de mês, o CDI previsto avançou de 12,54% para 12,57%. A taxa para setembro evoluiu de 12,64% para 12,68%. Já a estimativa de CDI para a virada do ano recuou de 13,53% para 13,50%. O contrato mais negociado do pregão de ontem, com vencimento em janeiro de 2010, cedeu com mais firmeza. A baixa foi de 0,10 pontos, para 14,93%. O swap de 360 dias, piso das operações de crédito, retrocedeu de 14,57% para 14,54%.

Os juros futuros cairão mais ainda a amanhã se o Copom confirmar o consenso maciço dos economistas de instituições - de preservação do compasso de 0,50 ponto conforme amplamente sinalizado pelo BC por meio de documentos e discursos oficiais -, mas não podem recuar demais pois a autoridade usa a curva futura pressionada para desinflar a demanda e serenar as expectativas. Mesmo que caia muito, o DI mais negociado, o janeiro 10, que fechou ontem a 14,93%, não voltará no curto e médio prazos aos 14,22% em que estava no dia da reunião anterior do Copom, 4 de junho.

Como os juros futuros se locomovem muito em função do sobe-e-desce das commodities nos mercados internacionais - ou seja, em função do impacto sobre os preços domésticos do choque externo de alimentos e energia -, a parte das preocupações do BC ligada ao aquecimento de demanda já está precificada na curva futura de juros. Ontem, o índice CRB de 19 commodities caiu 1,71%, acumulando em julho retração de 8,99%. Mas no ano ainda há gordura de 17,41%. O petróleo cedeu 2,36%, para US$ 127,95 porque a tempestade tropical Dolly já não ameaça mais a zona produtora do Golfo do México e porque um falcão do Federal Reserve (Fed) resolveu exibir as garras. O presidente da regional da Filadélfia, Charles Plosser, disse que o Fomc poderá subir o juro básico mais cedo, e não mais tarde . O mercado futuro americano acreditava que a taxa ficaria congelada em 2% até o fim do ano. Na advertência de Plosser, a suspeita de que pode avançar 0,25 ponto em 29 de outubro ou 16 de dezembro. O seu alerta provocou alta do dólar e ajudou o petróleo a cair.

Em relatório divulgado ontem à tarde, o Departamento Econômico do Bradesco ratificou sua projeção de que o Copom irá hoje aumentar a dose do aperto monetário, elevando o juro básico em 0,75 ponto, de 12,25% para 13%. Se a autoridade monetária cumprir a promessa de adotar ações para que as expectativas de 2009 convirjam para o centro da meta - e acreditamos que adotará - será necessário acelerar o passo de alta da Selic , diz o estudo. Há dois motivos primordiais para o Copom acelerar a taxa: cumprir sua função de coordenador de expectativas e elevar as taxas reais de juros. Para o Bradesco, há, naturalmente, chances de que as cotações das commodities recuem diante de sinais mais claros de desaceleração da economia mundial, mas o preço que o BC pode pagar caso esse cenário não se confirme - e os juros reais continuem sem aperto mais efetivo - pode ser muito elevado no futuro. Os riscos à inflação continuam assimétricos para cima , diz o relatório.

Entre a última reunião do Copom (4 de junho) e ontem, o dólar caiu no mercado interno 3,13%, de R$ 1,63 para R$ 1,5790. Trata-se de apreciação que já ajuda no combate à inflação. Ontem, o dólar acompanhou a alta no mercado internacional e fechou com valorização muito leve de 0,06%.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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