Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Análise: Giro curto antecipa festa do especulador

SÃO PAULO - A queda sofrida ontem pelas bolsas de valores de Wall Street (o Dow Jones cedeu 0,37% e o Nasdaq 1,3%) forneceu o pretexto que os comprados em dólar futuro buscavam para melhorar seus lucros neste fim de ano. O Banco Central fez a sua parte, vendeu US$ 410 milhões em leilão à vista, por preço de corte abaixo da cotação de mercado, mesmo assim não conseguiu refrear a avidez dos especuladores.

Valor Online |

Na véspera do dia de formação da " ptax " , a taxa oficial de câmbio que irá liquidar os contratos futuros, o dólar fechou com uma artificial valorização de 1,89%, cotado a R$ 2,4150.

Os especuladores conseguiram impor sua vontade porque a liquidez foi muito apertada no interbancário. Foram registrados negócios de apenas US$ 780 milhões devido à dificuldade para se liquidar as operações no prazo normal de D+2, já que a bolsa estará fechada amanhã. Os maiores " comprados " em dólar futuro e cupom cambial são os investidores estrangeiros, basicamente " hedge funds " . Pela última posição conhecida, referente ao dia 26, o seu volume " comprado " (mais que um palpite de que o dólar subirá, trata-se do desenvolvimento de esforços ativos no sentido de que a sua rota cumpra na marra a previsão) era de US$ 12,495 bilhões. Eles permaneceram nessa posição contra o real durante dezembro inteiro. E o cacife foi sempre alto. O auge da aposta ocorreu no dia 8 (US$ 13,599 bilhões) e o piso no dia 11 (US$ 10,95 bilhões). O lucro não será pequeno: no mês, até ontem, o dólar já subiu 4,32%, o dobro do que paga um T-Note de 10 anos.

A especulação com dólar futuro não contaminou o pregão ao lado, o de juro futuro. As projeções de CDI persistiram em queda depois que o IGP-M de dezembro, em deflação de 0,13%, consolidou o consenso de que o Copom irá reduzir a Selic na primeira reunião de 2009, no dia 21. Resta saber se a queda será de 0,25 ponto ou de 0,50. O mercado se encaminha para esta segunda opção. O declínio do juro futuro tem sido maior do que a redução da expectativa de IPCA para o mesmo período. Enquanto a taxa do swap de 360 dias caiu de 13,21% no dia 9 de dezembro (um dia antes do último Copom de 2008) para 12,30% ontem, a projeção do Focus para o IPCA 12 meses à frente cedeu de 5,30% para 5,01%. Resultado: o juro real recuou de 7,51% para 6,94%.

O economista-chefe da LCA Consultores, Bráulio Borges, identifica alguns sinais de que o fundo do poço da crise internacional, se já não foi atingido neste quarto trimestre de 2008, o será logo no começo de 2009. É importante caracterizar o momento em que a economia global bate no seu extremo de queda porque a tendência é de que não fique lá por muito tempo. Se o poço não é escavado, prevalece o movimento de retorno. E o " turn pointing " já pode ter acontecido. Os sinais vistos pelo economista - que podem indicar um aumento na liquidez global e um decréscimo na aversão a risco -, são os seguintes: redução do spread entre os títulos do Tesouro americano de três meses e a Libor para o mesmo período; volta da relação dólar-euro para aquém da linha de US$ 1,30; e as notícias ruins já não têm mais o poder letal de antigamente. Borges lembra que nem a rejeição pelo Senado americano do pacote de ajuda às montadoras, nem o escândalo Madoff conseguiram derrubar os mercados com a facilidade e a virulência encontradas por eventos menos relevantes ocorridos em setembro ou outubro. As reações não são mais extremadas porque acabou o risco de crise financeira sistêmica. Está-se agora na fase da avaliação da profundidade da recessão.

O spread entre a Libor e o T-Bill de três meses está voltando aos tempos pré-quebra do Lehman Brothers. Ele estava em 1,80 pontos-base no dia 15 de setembro, o da quebra do banco de investimento. Subiu para 2,04 pontos-base no dia 16 e 3,03 no dia 17. O pico foi alcançado no dia 10 de outubro, a 4,57 pontos-base. Ontem, o spread estava em 1,40. Embora a queda para o degrau de US$ 1,25 da cotação do euro em meados de novembro, depois de ter superado US$ 1,45 no final de setembro, possa ser em parte atribuída ao diferencial entre o juro básico americano negativo e as taxas positivas européias, o movimento cambial reflete uma diminuição das inquietações com a crise e os seus efeitos sobre a atividade. No entender de Borges, o pior momento da crise pode ter se concentrado de forma devastadora no quarto trimestre do ano. O PIB americano pode ter caído algo impressionante na faixa entre 4% a 6% anualizados, mas se foi repetido agora o mesmo fenômeno de recessões passadas, com a agudização da crise em um período específico, a recuperação subseqüente será igualmente intensa. Foi o que se deu em 1982. Naquela época, o produto acumulado em doze meses chegou a encolher até 3%, para, no ano seguinte, expandir-se a 7%.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG