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Análise: Fundo europeu só atrapalha

Agora, o Fundo Monetário Europeu para pôr em ordem essa confusão que aflorou com a crise da dívida grega. Mas pôr em ordem como? O autor da brilhante ideia - e poderia ser outro? - o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schauble, seria fiscalizar melhor as finanças dos países-membros e evitar que nova crise venha a ocorrer no futuro.

Agência Estado |

Mas isso não ajuda a resolver a ameaça atual ao euro e à União Europeia, que está em países endividados acima de qualquer limite.

Dívidas que estão vencendo nas próximas semanas, nos próximos meses! Por enquanto, houve um rápido alívio na pressão sobre a Grécia, mas na segunda quinzena novos títulos estarão vencendo e começa tudo de novo. E tem a Espanha na linha de fogo e a Itália...

O Fundo Europeu, ou seja lá o que for, não vai resolver nada. Nem agora, nem depois, se não houver o compromisso firme, solene, de cumprirem as metas fiscais e monetárias, que já existem sob pena se serem expulsos do grupo. Mas se já existem, por que a Grécia e outros não cumpriram? Porque ninguém cobrou seriamente, porque cada um pensou em si, mesmo sabendo, por exemplo, que a dívida pública grega saltou para 115% do Produto Interno Bruto (PIB) e o déficit para 12,7%.

Em resumo, porque a União Europeia se entusiasmou demais com os êxitos do intercâmbio econômico regional, e não se preocupou com o resto. A Alemanha, que agora se recusa a dar qualquer ajuda financeira à Grécia - e fará o mesmo com os outros superendividados -, foi o país que mais se beneficiou, o que mais exportou para os demais membros. E agora, inventam o Fundo para fiscalizar o futuro quando o presente ameaça se esfrangalhar...

HUMOR NEGRO
Seria, mesmo se a ideia não tivesse sido lançada esta semana como algo sério, brilhante. Ela foi logo rechaçada pelos que não se deixaram enganar com mais palavras para tentar adiar o problema. Axel Weber, presidente do BundesBank, saiu criticando. "Não ajuda nada institucionalizar ajudas de emergência." Ao contrário, diz ele, só atrapalha. "Seria só uma distração sobre o que é principal (e urgente), a consolidação fiscal." A Grécia - e não só ela - deve trazer seu déficit público para baixo da meta da União Europeia, 3% do PIB, afirma ele. E não está sozinho.

O PROBLEMA NÃO É DINHEIRO
O desafio da Grécia neste momento não é dinheiro, não duas ou três dezenas de bilhões de dólares, mas confiança.

Confiança que se traduz em acesso ao mercado a taxas suportáveis para serem pagas e não 8,5% ao ano, quando a média não passa de 4%. Confiança que não será restabelecida pelo próprio e novo governo grego, desmoralizado no mercado, e sim pela garantia de algum organismo, como a União Europeia ou o Fundo Monetário Internacional (FMI).

É isso o que o primeiro- ministro grego, George Papandreu, está pedindo aos europeus. E não um Fundo Monetário que nem existe e não pode atender a ninguém. Só fiscalizar o respeito às regras da comunidade. Com isso, os gregos poderiam voltar a obter parte dos empréstimos necessários para rolar suas dívidas nos próximos meses, ou até o próximo ano.

O único Fundo que restabeleceria a confiança no governo grego é o Fundo Monetário Internacional, que a União Europeia, liderada pela Alemanha, não aceita, mas não apresenta nenhuma solução.

O curioso nessa novela é que o FMI exigiria da Grécia, o mesmo que a União Europeia está hoje exigindo, rigor fiscal, redução do endividamento, o que implica em severo corte de gastos e aumento de impostos. É isso o que o ministro das Finanças Wolfgang Schauble está exigindo também da Grécia... Só que, nesse caso, tudo tem de ficar em casa.

Resumindo: ninguém quer garantir a dívida que deixaram que os gregos fizessem sob a complacência da comunidade europeia, mas também ninguém deixa que outros venham em ajuda propondo a mesma política que eles estão propondo...

Isso me lembra a trágica história do terremoto do Haiti, quando o Brasil ficou discutindo uma semana com os Estados Unidos quem iria socorrer as vítimas que estavam morrendo. E, neste caso, pode-se até ouvir em Berlim, Bruxelas ou Frankfurt: "Deixem que o cadáver (a Grécia) é meu...". Só que, se realmente houver um cadáver, também contaminará o euro e as economias mais frágeis do bloco, para alegria dos que estão apostando que a situação vai deteriorar-se. Até já tem gente no mercado financeiro internacional ganhando com isso.

A LIÇÃO PARA NÓS...

...é que devemos continuar controlando as contas públicas, o endividamento, os déficits como estamos fazendo no momento. Com isso, mantivemos intacta a credibilidade externa em plena crise mundial, continuamos atraindo cada vez mais investimentos externos e estamos crescendo enquanto os outros, leia Europa, ainda definham.

Estamos aplicando hoje, a mesma política que o FMI nos obrigou a aceitar na crise da dívida externa e da hiperinflação. Lula seguiu o que eles haviam mandado fazer - e estávamos fazendo - só que ficou com o mérito, dizendo que a política herdada do FMI e do ex-presidente Fernando Henrique, era dele... Não faz mal. Deu certo. Felizmente, não temos pesando nas costas o orgulho estúpido de uma União Europeia.

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