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Análise: Freio à importação atrapalha sinal do BC

SÃO PAULO - Após dois pregões em alta, os juros futuros fecharam com pesadas quedas ontem. A taxa do contrato para a virada do ano cedeu de 11,39% para 11,22%, mas ainda está distante dos 11,08% de quinta-feira.

Valor Online |

Os motivos dos espasmos de alta que às vezes perturbam o quadro natural de queda dos juros podem ser buscados nas dúvidas sobre a genuína convicção do Banco Central em conduzir uma flexibilização monetária. Sempre quando surgem pretextos, internos ou externos, puramente imaginários ou com alguma carga implícita de ameaça, que podem ser aproveitados pelo BC para segurar o ritmo de queda da Selic, o mercado futuro trata de jogar as projeções para cima. Foi assim também ontem no início do pregão.

A notícia de que o Ministério do Desenvolvimento tinha expedido comunicado obscuro obrigando os importadores a submeterem a exame prévio as solicitações de compras de mercadorias no exterior foi logo invocada pelo DI como excelente pretexto para o Copom abrir um pára-quedas na descida da Selic. Se o governo estava dificultando as importações, com o objetivo de melhorar o saldo da balança comercial, isso poderia provocar um choque de oferta com conseqüências negativas sobre a inflação. A estimativa de CDI para janeiro, que fechou a 11,22%, chegou a subir a 11,43% no início do pregão. Os CDIs futuros só voltaram a cair depois que surgiram informações segundo as quais o Ministério da Fazenda rebelou-se contra o informe eletrônico do Desenvolvimento impondo a necessidade de licenças prévias à importação.

O mercado discute se o Copom teria tempo para, após resolvida a questão, colocar, se for necessária, alguma nova advertência na ata da reunião realizada na semana passada e que será divulgada amanhã. O Ministério do Desenvolvimento introduziu um elemento estranho ao sistema monetário fechado cujas informações começam no BC, transitam depois pelo mercado e voltam para reanálise da autoridade sem passar pelo setor real da economia. Os analistas não gostariam que nenhum elemento novo e externo ao Copom viesse a turvar as sinalizações esperadas, pois esta ata está sendo considerada fundamental para a determinação dos rumos dos juros futuros. Ela deve explicar em detalhes o que o Copom quis dizer com " parte relevante " do desaperto já ter sido efetuada pelo corte de um ponto. E quantos cortes adicionais e em qual ritmo o mercado pode esperar (e precificar) para os próximos meses.

Como forma de compensar nominalmente a queda do CDI futuro, sobe o spread bancário. Segundo dados divulgados ontem pelo BC, o spread geral subiu de 30,1 para 30,6 pontos no mês passado. Para o professor do Instituto de Economia da UFRJ, Fábio Erber, já que o sistema bancário é um oligopólio sem concorrência poderia se instaurar uma competição via ativos. Mas esta também é imperfeita. Se um ativo, como os títulos públicos, tem sua remuneração reduzida é previsível que as instituições procurem defender sua margem de lucro redirecionando suas operações para outro tipo de ativo, mas isso não conduz necessariamente à diminuição das taxas de juros dessas outras operações, pode até ter o efeito inverso.

" A experiência durante o último período de baixa da Selic mostrou que os bancos reduziram suas taxas menos que a queda do juro básico, o que, combinado com a demanda em expansão, aumentou muito a lucratividade do sistema " , diz Erber. Mesmo com a crise, há uma larga parcela de demanda não atendida, mesmo a altas taxas de juros. Diante disso, a única solução são os bancos públicos fazerem uma dupla competição (institucional e de ativos), reduzindo as taxas que cobram.

A valorização de 0,86% registrada ontem pelo dólar, cotado a R$ 2,33, não pode evidentemente ser atribuída à confusão gerada pela exigência de licenças a importações. As compras de dólares pelos importadores nunca são apontadas como razão para a alta da moeda. Ela é melhor explicada sobretudo pelo movimento de capitais e pelas armações especulativas nos mercados derivativos. Mas, de qualquer forma, se a atuação do importador tende a ficar restrita por um motivo ou outro, isso é fator de baixa de dólar, não de alta.

Na verdade, o comportamento da moeda no segmento à vista está sendo ditado diretamente pela corrida final dos contratos futuros de dólar, cujo vencimento acontece na sexta-feira. Os investidores estrangeiros persistem maciçamente " comprados " em dólar futuro. E, até a formação da Ptax (taxa oficial de câmbio) do final do mês, qualquer alta será bem-vinda. As suas apostas " compradas " vêm oscilando este janeiro em torno de US$ 13 bilhões. Estavam em US$ 12,81 bilhões na quinta-feira, subiram para US$ 13,18 bilhões na sexta e recuaram para US$ 12,96 bilhões na segunda-feira.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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