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Análise: Europa pessimista fortalece o dólar

SÃO PAULO - O dólar fortaleceu-se ontem frente às principais moedas globais, menos por mérito dos EUA e mais por deficiência sobretudo das economias européias. Embora epicentro da crise global de crédito, os EUA parecem estar melhores que os outros países desenvolvidos. A moeda americana valorizou-se inclusive diante do real. O dólar fechou o dia cotado a R$ 1,6460, em alta de 0,67%. Mas não precisou fazer muita força para tanto. O feriado americano do Dia do Trabalho deprimiu a liquidez a ponto de derrubar o giro bancário de US$ 5,5 bilhões na sexta-feira para US$ 1,3 bilhão ontem. Sem volume e motivação interna para uma conduta autônoma, a tendência externa se impôs naturalmente.

Valor Online |

O fortalecimento do dólar resultou das más notícias vindas principalmente da Inglaterra. No sábado, em matéria do The Guardian , o ministro de Finanças britânico, Alistair Darling, disse que a perspectiva para a economia do Reino Unido pode ser considerada a pior dos últimos 60 anos . As declarações pessimistas de Darling amplificaram o impacto negativo de indicadores suficientemente ruins por si mesmos divulgados ontem. O número de aprovações de hipotecas caiu para 33 mil em julho no Reino Unido, patamar mais baixo desde que a série começou a ser calculada, em abril de 1993.

Outro índice, referente à atividade da indústria de transformação, ratificou o nível de contração, apesar de ter crescido de 44,1 em julho para 45,9 no mês passado. Depois de Darling e dos dados, a libra despencou. O euro não teve destino mais promissor. Amanhã, sai o PIB revisado do segundo trimestre da zona do euro. A expectativa geral é de uma retração de 0,2% em relação ao primeiro trimestre. Sob o impacto dessas informações, irão se reunir na quinta-feira os comitês de política monetária dos bancos centrais inglês e europeu. A vontade era de reduzir os juros básicos - atualmente em 5% e 4,25%, respectivamente -, mas não podem fazer isso por causa das taxas de inflação já acima do aceitável.

A valorização do dólar ajudou a afundar o petróleo, depois de três dias de pesado tiroteio altista no rastro do furacão Gustav. Este perdeu vigor, caiu do nível 4 para o 1, e os outros fatores que influenciam a formação de preço do barril passaram a pesar mais. Outro fator decisivo para a queda - no pregão eletrônico da Nymex, o barril rolou 3,78%, para US$ 111,09 - foi a percepção de que a oferta já supera a demanda.

Surpreendeu declaração do ministro iraniano do petróleo Mohammed Ali Khatibi segundo a qual os países membros da Organização dos Países Exportadores do Petróleo (Opep) não estão respeitando os limites operacionais acordados em reuniões passadas. Sob pedido de grandes compradores, vários produtores aumentaram a prospecção para alargar a oferta. O resultado é que os estoques estão crescendo desnecessariamente e podem derrubar os preços para níveis que não interessam à Opep.

A liquidez muito estreita (284 mil contratos) não foi capaz de tirar fundamentação técnica da queda sofrida ontem pelos contratos futuros de juros negociados na BM & F. O CDI previsto para a virada do ano recuou de 13,88% para 13,87%. O contrato mais transacionado, para janeiro de 2010, cedeu de 14,64% para 14,62%. O swap de 360 dias passou de 14,58% para 14,56%. De manhã, o pregão se mostrou insensível aos apelos baixistas vindos do IPC-S. O índice semanal ao consumidor da FGV desacelerou-se de 0,24% para 0,14%. A taxa já estava prevista, mas foi anunciada, de qualquer forma, no piso das expectativas.

Desinteresse similar mereceram os dados da última pesquisa Focus. A projeção de IPCA para 2008 recuou pela quinta semana consecutiva, de 6,34% para 6,32%. Mas a manutenção, pela sétima semana, do prognóstico de 5% para 2009 foi a senha para a ratificação matinal dos juros.

Coerente com os objetivos da política monetária do Copom, o mercado só está interessado em indicador de atividade que aponte para um desaquecimento econômico. Se nenhuma deflação fará com que o BC abandone a sua intenção de manter, na reunião do Copom agendada para a semana que vem, a velocidade de alta da Selic no mesmo 0,75 ponto inaugurado na reunião passada, indicador de atividade mais fraco comoverá a autoridade. E ele pode estar chegando. Circulou informação pelas mesas de que as vendas de veículos caíram em agosto. Dados preliminares da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) comprovariam a diminuição de demanda ansiada pelo Copom.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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