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Análise: Estrangeiro reverte posição e dólar cai

SÃO PAULO - Até que o dólar caiu pouco ontem em face da disposição do Banco Central de emprestar às empresas brasileiras tudo o que vencerá de dívida externa privada até dezembro. A decisão neutraliza uma demanda potencial por dólares gigantesca em caso de severa deterioração da cena externa.

Valor Online |

Os vencimentos de dívida no período coberto pela medida do BC, entre outubro do ano passado e dezembro deste, somam US$ 36 bilhões. Se as empresas não encontrarem crédito lá fora para honrar esses compromissos terão de buscar no mercado doméstico. E esta procura faria explodir a cotação, mesmo se ativesse à estimativa do BC de demanda por recursos das reservas num montante não superior a US$ 20 bilhões. Num patamar ou noutro, tal demanda não irá mais se concretizar. Por isso, a queda de 0,86% sofrida pelo dólar ontem, cotado a R$ 2,2880, foi até suave. Foi a terceira queda consecutiva. Deve continuar recuando nos próximos dias.

Sobretudo porque os investidores estrangeiros parecem ter iniciado um movimento mais intenso de saída das posições " compradas " mantidas nos pregões de derivativos cambiais da BM & F. De um dia para o outro, a posição comprada foi enxugada em US$ 745 milhões. A posição dos hedge funds carregada liquidamente entre os pregões de cupom cambial e dólar futuro cedeu de US$ 12,12 bilhões no dia 3 para US$ 11,38 bilhões " comprados " (aposta de alta do dólar) no dia 4. Deve ter caído ainda mais ontem. O capital estrangeiro especulativo não quer brigar de frente com o ingresso de recursos de peso vindo de captações externas. A captação de US$ 1,5 bilhão concluída anteontem pela Petrobras, quando havia uma demanda por papéis da companhia num total de US$ 6 bilhões, mostra que o potencial de absorção de outros lançamentos por empresas de primeira linha brasileiras é grande.

A tendência de queda da moeda é realçada pela melhora do mercado americano. Os grandes investidores parecem ter se cansado de esperar pela medida que irá limpar as carteiras dos bancos dos papéis tóxicos que impedem o restabelecimento do fluxo de crédito pela economia. E os pregões operaram com bom humor, motivados por balanços corporativos menos assustadores. O diretor da consultoria UP Trend, Jason Vieira, observa que os resultados acima das expectativas da Cisco, Visa e Wal-Mart foram recebidos com incredulidade num dia de indicadores antagônicos.

Vieira destaca os rumos díspares assumidos pelos índices de mercado de trabalho e os de atividade econômica. " Com a piora nos indicadores de emprego, o crescimento da produtividade não é um fator essencialmente positivo, pois reflete basicamente a redução dos custos com mão de obra, o que melhora os resultados corporativos de maneira somente nominal e não real " , diz o economista. O número anualizado de pedidos de auxílio-desemprego aumentou para 626 mil, acima dos 580 mil previstos pelos analistas. A produtividade cresceu 3,2% , o dobro do 1,5% esperado por economistas. E as novas encomendas à indústria caíram 3,9% em dezembro, o quinto mês consecutivo de baixa, quando a expectativa era de queda de 3,3%.

Sem novos sinais do BC, o mercado futuro de juros da BM & F suspendeu o movimento de queda dos contratos. Isso não significa que os investidores preparam um retorno das taxas para patamares mais elevados ou planejam uma intensificação da curva positiva traçada para os próximos três janeiros. A taxa para a virada do ano subiu muito levemente de 11,02% para 11,04%, enquanto o CDI previsto para o janeiro seguinte, de 2011, permaneceu estável em 11,46%. Para janeiro de 2012, o juro avançou de 11,77% para 11,80%. As apostas não estão sendo magnificadas porque as certezas do mercado são muito poucas. Ele sabe que o BC tem um corte mínimo planejado, de mais dois pontos. A Selic desejada pela autoridade é, portanto, de 10,75%. Mas o mercado não tem muita convicção sobre o ritmo em que a baixa de dois pontos será feita: se por meio de dois cortes de um ponto ou de quatro de 0,50.

Como o juro real projetado para um ano já está perto dos 6% que parecem ser o alvo do BC, a tendência é de ele não se apressar. O Copom tem predileção pelos ritmos nominais adotados pelos bancos centrais de países desenvolvidos, sem considerar relevantes as diferenças abissais entre as taxas nominais. Ontem, o BOE (o bc inglês), reduziu a taxa básica em 0,50 ponto, só que ela estava em 1,5%, não em 12,75%, como é o caso brasileiro. E o BCE manteve a sua em 2%. Só que ela estava em 4,25% em outubro. De lá para cá, tombou nada menos que 53%. Se o Copom fosse fazer a mesma coisa aqui, teria de reduzir a Selic em 7,29 pontos, para 6,45%.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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