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Análise: Especulador ensaia mudança de rota

SÃO PAULO - O sentido da especulação cambial pode estar mudando. Nesta final de agosto, os investidores estrangeiros já realizaram os lucros obtidos no mês, sobretudo até o dia 15, com a alta do dólar em relação ao real, e ensaiam voltar a ficar vendidos em dólar no mercado futuro da BM & F. As posições assumidas pelos fundos de capital externo nos pregões de derivativos cambiais da BM & F antecipam e depois magnificam a tendência da moeda no mercado à vista. Os exemplos recentes são eloqüentes. Os hedge funds estão sempre na posição correta - com isso, não se quer dizer que eles se limitam, em todos os casos, a acertar a posição que irá prevalecer, na verdade eles a forjam.

Valor Online |

Os fundos de fora terminaram julho vendidos em US$ 7,62 bilhões e, coincidentemente , o dólar acumulou no mês desvalorização de 2,13%. Bastou o dólar revigorar-se nas praças globais, derrubando o petróleo e as commodities, para os hedge funds rapidamente mudarem de lado. Passaram a ficar comprados em dólar em agosto, uma aposta na alta da moeda. Coincidentemente , a posição comprada mais robusta, de US$ 3,7 bilhões, ocorreu no dia (15 de agosto) que registrou a mais elevada cotação recente (R$ 1,64). O capital externo passou a reduzir as posições compradas ao longo da segunda quinzena do mês, realizando lucro de 4,93% obtido na primeira. Essa aposta comprada caiu acentuadamente nos últimos dias, e está agora em apenas US$ 195 milhões. O dólar fechou ontem em baixa de 0,61%, cotado a R$ 1,6220.

A alteração na carteira local dos investidores estrangeiros harmoniza-se com o posicionamento assumido por eles nos mercados globais. O retorno a um posicionamento, no Brasil, vendido em dólar informa a montagem de operações que costuram o rasgo na bolha de commodities. Significa a volta na aposta de um dólar globalmente mais fraco, capaz de intensificar uma rota doméstica de queda. E isso torna lucrativa a operação de carry-trade que consiste na venda de dólar e compra de real, cujo lucro provém tanto da variação cambial negativa quanto da variação da Selic.

Do ponto de vista inflacionário e da política monetária, o novo posicionamento do capital de fora traz duas notícias, uma boa, outra ruim. A boa é que a reapreciação do real ajuda no combate à inflação. A ruim é a possibilidade de uma nova onda de alta das commodities cujo efeito sobre os índices de inflação no atacado costuma ser devastador. Vive-se hoje situação diametralmente oposta, a do piso das commodities, conforme constatou o IGP-M de agosto. Apesar da forte deflação registrada pelo indicador, os juros futuros não caíram por causa das incertezas relacionadas aos próximos passos das commodities. Ontem, na terceira alta consecutiva, o índice CRB de 19 commodities subiu 0,73%, mas acumula em agosto uma baixa de 3,69%. O petróleo valorizou-se ontem 1,62% na Nymex, mas no mês ainda acumula retrocesso de 4,78%
O IGP-M surpreendeu até a ala mais otimista do mercado. Ele cravou uma deflação de 0,32% em agosto, após alta de 1,76% no mês passado. Ou seja, a guinada foi vertiginosa. Todo mundo sabia que vinha uma deflação, mas não tanto. As projeções dos economistas oscilavam entre -0,25% e -0,05%. O resultado final foi quase o dobro da mediana. A razão do tombo foi a rápida descompressão dos produtos agrícolas. Depois de acumular alta de 42,7% entre julho de 2007 e julho de 2008, o conjunto dos preços agrícolas no atacado apresentou, segundo a consultoria LCA, deflação de 4,81% neste mês de agosto. O recuo recente observado no preço internacional do petróleo, ao provocar moderada desaceleração nos preços de combustíveis e produtos petroquímicos, também representou um foco de alívio na cadeia industrial.

Mas, de acordo com estudo da consultoria, depois da forte queda observada em julho e nas primeiras semanas de agosto, os preços agrícolas ensaiam uma acomodação. Ainda há fatores estruturais, no ambiente global, a limitar o recuo nos preços agropecuários. Para a LCA, nos próximos meses, os preços agrícolas não devem registrar deflação tão intensa quanto a verificada em agosto. No médio prazo, as commodities continuarão sujeitas a períodos de volatilidade intensa. O DI futuro prefere não se arriscar. A estimativa de CDI para a virada do ano até subiu ontem, de 13,88% para 13,90%. A taxa para janeiro de 2010 avançou de 14,68% para 14,69%. Só os juros muitos longos refluíram. Para a virada de 2011 para 2012, o prognóstico cedeu de 13,92% para 13,90%.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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