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Análise: Em queda, juro não avaliza alta do dólar

SÃO PAULO - O mercado de juros não acredita que a disparada do dólar nos últimos cinco pregões seja para valer. Se apostasse na consistência, continuidade ou consolidação da depreciação do real, os CDIs futuros não estariam despencando.

Valor Online |

Apenas nesta série de cinco valorizações ininterruptas, a moeda americana saltou 8,79%. Somente ontem subiu 3,46%, cotada a R$ 2,4750, maior preço desde junho de 2005. Desde o piso de R$ 1,5590 cravado no dia 1º de agosto, o dólar já subiu 58,76%. O mercado monetário considera tal preço irreal.

A arrancada recente resulta de armações destinadas a forçar o Banco Central a realizar leilões de venda de contratos de swaps cambiais. Esta semana ele não fez nenhum leilão desses títulos, revoltando instituições que ainda carregam swaps reversos, papéis que vêm dando prejuízos diários elevados desde que a variação do dólar superou a rentabilidade da Selic. As armações promovem frenética volatilidade e surtem pleno efeito de puxar a cotação final para cima porque o fluxo cambial permanece negativo.

Dados divulgados ontem pelo BC mostram um déficit de US$ 7,16 bilhões na balança cambial de novembro, o pior desempenho desde o rombo de US$ 8,59 bilhões sofrido em janeiro de 1999. Como os bancos privados carregavam posições compradas à vista de US$ 7,08 bilhões no final de outubro puderam atender, com vasto lucro, a maior parte da demanda por dólar, uma vez que o BC não se mostra disposto a queimar as reservas cambiais. Foi por isso que a posição comprada caiu a US$ 2,53 bilhões no final de novembro.

O BC não aceitou sem luta as pressões exercidas ontem no câmbio. Quando, logo de manhã, o dólar superou R$ 2,45 desfechou dois leilões consecutivos de venda direta de dólar. E como deve ser, a preços decrescentes. No primeiro, vendeu a R$ 2,3915. E, no segundo, a R$ 2,3755. Gastou cerca de US$ 350 milhões das reservas. E fez também o já programado leilão de créditos à exportação, no valor de US$ 1,957 bilhão. Conseguiu baixar a febre do mercado para até R$ 2,3720.

No meio da tarde, contudo, nova ofensiva empurrou a cotação para o seu preço máximo, o de fechamento. Desta vez, o BC só olhou. Trata-se de atitude coerente com a certeza de que o movimento de arrancada foi artificialmente forjado. Portanto, terá fôlego curto. O problema é que as manobras altistas tecidas sobretudo no mercado futuro de derivativos cambiais da BM & F têm o poder de manter o preço elevado se não surgir nenhum fato importante pelo lado real do fluxo cambial em sintonia com uma diminuição das preocupações com a recessão global. Do dia 1º para o dia 2, as posições compradas carregadas por investidores estrangeiros cresceram US$ 861 milhões, para US$ 12,874 bilhões.

O mercado de juros da BM & F sustentou ontem a crença de que o dólar não se manterá em patamar tão alto por muito tempo. E, se conseguir se equilibrar nele, o " pass through " cambial para o IPCA não será relevante. A maioria dos contratos voltou a cair pesadamente ontem. A taxa para janeiro de 2010 cedeu de 13,93% para 13,72%, sendo que estava em 16% pouco antes da última reunião do Copom, em outubro. O CDI previsto para o janeiro seguinte, o de 2011, refluiu de 14,27% para 14,12%. Depois que os indicadores de inflação e atividade frustraram a expectativa de avanço da Selic em 2009, o DI futuro passou a se dedicar à discussão do momento em que o Copom iniciará o ciclo de queda da taxa Selic.

A maior parte do mercado ainda acredita que isso acontecerá somente no quarto trimestre de 2009, quando tanto a inflação quanto o crescimento econômico do ano já estarão dados. A baixa aconteceria apenas ou no Copom de 2 de setembro ou no de 21 de outubro. Ala ainda minoritária de analistas aposta que o BC irá esperar pelos indicadores relativos ao primeiro trimestre de 2009 para só então tomar uma decisão flexibilizadora. Esta corrente coloca na reunião de 29 de abril o ponto de inflexão da política monetária.

Com ênfases diferentes, as duas alas pautam os seus prognósticos na expectativa de que a economia brasileira sentirá o impacto da crise internacional apenas no quarto trimestre deste ano e no primeiro do próximo, voltando a crescer depois. Por isso, não seriam compatíveis com a clássica cautelosa ortodoxa do BC providências monetárias supondo o alastramento da crise. Elas seriam incongruentes com a estimativa oficial de crescimento do PIB de 4% em 2009. Mas, como forma de proteção, operações casadas embutem a hipótese de o próximo Copom vir a sinalizar um informal viés de baixa já para a primeira reunião do ano, dia 21 de janeiro.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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