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Análise: Economia ignora BC. Caso de elevar dose?

SÃO PAULO - As expectativas de inflação refluíram, mas os juros subiram no mercado futuro da BM & F. Há contradição nessas rotas divergentes? Os prognósticos de IPCA colhidos pelo Boletim Focus do Banco Central junto a cem instituições do mercado diminuíram para os acumulados de 2008 e os próximos 12 meses. O primeiro cedeu de 6,44% para 6,34%. E o segundo, de 5,31% para 5,25%. Mas o mercado manteve em 5% a estimativa de taxa para 2009. E o alvo único e confesso da política monetária do Copom é o IPCA do ano que vem. As expectativas para 2008 e os próximos 12 meses caem como reflexo sobretudo da perda de vigor manifestada pela inflação corrente. Esta murcha em sintonia com o furo exibido pela bolha de commodities. Já o IPCA de 2009 espelha plenamente a credibilidade desfrutada pela política monetária do BC. E, a julgar por dados divulgados ontem sobre crédito e confiança do consumidor, ela é, na sociedade, muito baixa. Os juros subiram no futuro porque o aperto não está conseguindo minar o crediário e cortar a vontade de consumir. Nem desaquecer a economia em geral, já que na quarta semana do mês a balança comercial foi deficitária. Para o que serve o arrocho, então?

Valor Online |

Se ele não está surtindo efeito, o problema pode estar na dosagem e talvez seja o caso de aprofundá-lo. É o que aconselha o mercado futuro de juros da BM & F. A taxa para a virada do ano subiu de 13,85% para 13,88%. O contrato mais negociado, para janeiro de 2010, avançou de 14,69% para 14,73%. E o CDI para janeiro de 2011 passou de 14,29% para 14,30%. Os players do DI futuro estão impressionados com a teimosia dos agentes econômicos em querer crescer, ignorando a pressão para baixo exercida pelo Copom.

Ontem foi um dia pródigo em boas notícias para a economia e em más notícias para o BC. A primeira: o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) referente a agosto cresceu 6,2% em relação a julho, segundo a FGV. Entre julho e agosto, a parcela dos que avaliam a situação econômica local como boa elevou-se de 12% para 13,8% do total. A proporção dos que a avaliam como ruim diminuiu de 51% para 40,6% , diz a FGV. Ou seja, o consumo está crescendo a despeito de a Selic ter subido de 11,25% para 13%. O consumidor não está nem aí para esse aperto. Por quê? Culpa do crédito? A segunda: o volume de crédito cresceu 1,7% no mês passado apesar de a taxa média de juros do segmento livre ter aumentado 38%. Segundo o BC, a expansão dessas operações é de 16% no acumulado do ano e de 32,7% nos 12 meses encerrados em julho. O que está havendo? O juro sobe mas as lojas e financeiras ampliam os prazos do crediário.

A terceira notícia veio da balança comercial. Depois do superávit de US$ 1,67 bilhão registrado na terceira semana do mês, na quarta ela contabilizou um déficit de US$ 840 milhões, resultado de US$ 3,731 bilhões em exportações (média diária de US$ 746,2 milhões) e US$ 4,571 bilhões em importações (média de US$ 914,2 milhões). Não são números condizentes com uma economia submetida a severo arrocho monetário. A informação sobre a balança foi tão ruim que, a ela, foi atribuída a alta de 0,30% registrada pelo dólar, cotado a R$ 1,6330. A inversão da rota comprada traçada pelos investidores estrangeiros na BM & F pode ser posta em xeque. Depois de o posicionamento comprado líquido em cupom cambial e dólar futuro ter atingido o pico de US$ 3,74 bilhões no dia 15, os hedge funds vêm reduzindo essa aposta todos os dias. Na sexta-feira, a posição havia caído para US$ 396 milhões.

Com inflação em baixa (o IPC-S recuou de 0,34% para 0,24% na semana passada), a economia brasileira parece ignorar tantos os esforços monetaristas do BC quanto a crise americana. Ontem, o Dow Jones caiu 2,08% por causa de um conjunto de notícias adversas. As instituições financeiras permanecem na alça de mira. Por enquanto, só bancos pequenos quebraram. Na sexta-feira, foi a vez do Columbian Bank and Trust, cuja falência foi decretada pelas autoridades de Kansas City. Mas ontem as ações da seguradora AIG e do banco de investimento Lehman Brothers despencaram. Os dados sobre o lado real da economia americana não estão melhores. Segundo a Associação Nacional dos Corretores de Imóveis dos EUA, o preço dos imóveis pode cair ainda mais. Isso porque os estoques aumentaram em 3,9% no mês passado. Essa expectativa pesou mais que a informação de que o número de imóveis residenciais usados vendidos em julho cresceu a uma taxa anual de 5 milhões, em alta de 3,1%, acima da expectativa de 4,95 milhões dos analistas.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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