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Análise: Dólar tem maior alta mensal em dois anos

SÃO PAULO - O dólar deve continuar a se apreciar contra o real, o euro e o iene em setembro, após alta recorde registrada no mês de agosto. A revisão do Produto Interno Bruto americano só veio reforçar a tendência. O que é extraordinário é que o resto do mundo parece ter reduzido seu crescimento antes do que os Estados Unidos. A economia americana foi a que mais cresceu no segundo trimestre entre todas as que compõem o grupo das sete nações mais desenvolvidas (G-7) , notam Stephen Jen e Spyros Andreopoulos, analistas do Morgan Stanley em Londres, em relatório divulgado na sexta-feira. Enquanto o PIB americano cresceu 3,3% no segundo trimestre, impulsionado pelo aumento de 13,2% nas exportações, no Japão a contração foi de 2,4%, em termos anuais, na Alemanha, de 2%, na França, de 1,2%, e na Itália, de 0,8%.

Valor Online |

É esse descolamento às avessas , como já têm chamado os analistas, que fortalece o dólar em todo o mundo, incluindo no Brasil. Após alta de 0,8% na sexta-feira em relação ao real, a moeda dos Estados Unidos acumulou valorização de 4,61% em agosto, a maior para um mês desde maio de 2006, terminando o dia cotado a R$ 1,6350 para venda. No ano, no entanto, a moeda americana está em queda de 7,99% em relação ao real. Para uma comparação, o dólar teve em agosto valorização de 6,4% contra o euro, a maior desde que a moeda começou a ser negociada, em 1999. Teve a mais longa alta com relação ao iene desde 2002, de duração de cinco meses. A libra esterlina caiu 8,1% na comparação com o dólar em agosto, na maior queda desde 1992, quando aconteceu o ataque especulativo feito pelo megainvestidor George Soros contra o Banco da Inglaterra.

Um dólar mais forte em agosto aliado à queda nos preços das commodities - correlação negativa que se mantém - permitem que o Fed (Banco Central americano) adote uma política monetária menos apertada: cada vez mais analistas apostam que os juros básicos americanos só vão ser elevados em meados de 2009, com as expectativas de inflação sob controle. Também no Brasil o tombo nas commodities ajudou os juros futuros a caírem em agosto: as taxas projetadas pelos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) de vencimento em janeiro de 2010, os mais negociados na BM & F Bovespa, passaram para 14,643% ao ano na sexta-feira, na comparação com os 14,685% ao ano do dia anterior e dos 14,872% do final do mês de julho.

As declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ajudaram. Durante palestra na sexta-feira, Meirelles disse que o ciclo de aperto monetário iniciado em abril pelo Banco Central para conter os efeitos da demanda doméstica aquecida e do choque das commodities sobre a inflação já começou a surtir resultados. Já estamos vendo os sinais de que a inflação está convergindo para o centro da meta , afirmou. Nos próximos dias 9 e 10, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne para definir os novos juros básicos, hoje em 13% ao ano.

O mercado está ficando muito otimista com a queda nos preços dos alimentos, mas pouca melhoria tem sido notada em componentes mais estruturais da dinâmica da inflação ao consumidor , diz relatório dos analistas do BNP Paribas, que vêem espaço para uma correção ao longo da curva de juros. Eles acreditam que o setor de manufaturas permanece forte, o que vai manter, na visão desses analistas, o Banco Central mais austero. Isso vai ajudar a minimizar o impacto do fortalecimento do dólar a nível global em setembro sobre o real, mas será insuficiente para reverter a tendência de pequena desvalorização da moeda brasileira, diz relatório do BNP. Eles vêem espaço para o dólar se mover para os níveis de R$ 1,65.

Os analistas da NGO Corretora de Câmbio discordam. Para eles, o dólar deve começar setembro apontando para baixo. O que fundamenta essa expectativa da NGO é o posicionamento dos investidores estrangeiros no mercado futuros. Na quinta-feira, estavam vendidos em dólar e comprados em reais em um total de US$ 2 bilhões, considerando-se os contratos de dólar futuro e cupom cambial (DDI). No entanto, no início de agosto, as posições vendidas em dólar eram maiores, de US$ 4 bilhões, o que não impediu a valorização recorde da moeda americana.

Hoje, o mercado ficará sem a referência dos Estados Unidos, por causa do feriado americano do Dia do Trabalho. Mas, a partir de amanhã, com a volta das férias de verão no Hemisfério Norte, a expectativa é de forte movimentação.

(Cristiane Perini Lucchesi | Valor Econômico)

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