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Análise: Dólar não se submete ao sentido do fluxo

SÃO PAULO - Após um pouco mais de quatro horas de discussões, o Copom decidiu o que o mercado de câmbio já previa: a manutenção da Selic em 13,75%, por unanimidade. Depois que os investidores se convenceram de que a tendência seria mesmo a manutenção do juro, o dólar só caiu.

Valor Online |

A percepção de que a série de seis altas consecutivas, encerrada no dia 4, durante a qual a moeda americana valorizou-se 11,5%, teve como finalidade pressionar o BC a não reduzir o juro básico cristalizou-se ontem após a divulgação do fluxo cambial ocorrido na primeira semana do mês. Ao contrário do que normalmente acontece quando a lei da oferta e da procura não está submetida aos interesses da especulação, a alta do dólar não resultou de fluxo negativo. Na verdade, o dólar subiu a despeito de a balança ter voltado a ficar positiva.

Na última semana de novembro, a balança foi deficitária em US$ 4,52 bilhões, ampliando o rombo da semana anterior, de US$ 1,76 bilhão. Mas no acumulado entre 1º e 5 de dezembro, a balança exibiu superávit de US$ 7 milhões, pequeno mais significativo. Foi o primeiro fluxo positivo semanal desde a primeira semana de outubro. Qual a razão? Saiu menos dinheiro pela conta financeira. As saídas financeiras caíram de US$ 5,12 bilhões na semana entre 24 e 28 de novembro para US$ 1,08 bilhão na primeira semana deste mês. Com esta " fuga " menos intensa de capital estrangeiro, o tradicional superávit comercial pode neutralizar o déficit financeiro. Como nota a consultoria LCA, prosseguiu a recuperação das linhas de financiamento às exportações: a razão entre câmbio contratado pelos exportadores e as exportações " físicas " atingiu 103% no período de 1 a 5 de dezembro, contra 91% no mês de novembro e 78% em outubro.

Apesar de todas essas melhoras no fluxo cambial, o preço do dólar só subia, pois era firmado em um mundo à parte, paralelo e irreal. A LCA levanta duas hipóteses para explicar o " descompasso " entre a realidade e a ficção. Ele pode ter sido provocado pelo aumento das posições " compradas " dos bancos no mercado à vista. Depois de recuarem expressivamente entre o final de outubro (US$ 7,07 bilhões) e o final de novembro (US$ 2,53 bilhões), os bancos podem ter voltado a ampliar essas posições. A segunda explicação pode estar na baixa liquidez do mercado de câmbio: o total movimentado na primeira semana de dezembro foi de US$ 17,3 bilhões, uma queda de mais de 28% ante o volume transacionado na última semana de novembro (US$ 24,2 bilhões). O diretor da NGO Câmbio, Sidney Nehme, tem uma terceira explicação: " O fortalecimento do consenso pela manutenção da Selic retirou a pressão altista imposta sobre o preço da moeda americana com o claro objetivo de induzir o Copom à manutenção " .

Os investidores nem esperaram o resultado oficial, conhecido apenas às 21h25, para recolhem as suas armas. Além de o dólar ter fechado ontem em baixa de 1,61%, cotado a R$ 2,4310, as posições " compradas " mantidas por fundos estrangeiros nos mercados de derivativos (cupom cambial e dólar futuro) cambiais da BM & F foram reduzidas em US$ 1,4 bilhões - de US$ 13,6 bilhões no dia 8 para US$ 12,2 bilhões no dia 9. Não dá para dizer que o dólar caiu 2,8% por causa de intervenções supostamente mais firmes feitas pelo BC. Na verdade, os seus leilões de venda não são em volumes muito expressivos. Ontem, ele fez dois no mercado à vista. No primeiro, colocou US$ 268 milhões. E, no segundo, US$ 174 milhões. E, no mercado futuro, continuou rolando os swaps cambiais que irão vencer no começo de janeiro. Vendeu ontem 61 mil dos 70 mil contratos oferecidos, no valor de US$ 3,01 bilhões. Na véspera já havia colocado swaps equivalentes a US$ 3,218 bilhões. Ainda falta rolar cerca de US$ 3,27 bilhões.

Toda essa renovação de swaps é contraditória em relação ao movimento de pesada queda descrito pelo dólar à vista nos últimos dois dias. Como os detentores desses contratos ganham a variação cambial, enquanto o BC recebe a variação da Selic, os swaps só se tornam interessantes enquanto a moeda estiver se valorizando. A partir do instante em que a Selic passar a render mais do que a valorização do dólar, os contratos reversos é que despertarão a cobiça. Se os bancos estão ávidos em renovar os swaps tradicionais é porque consideram inconsistente e transitória a queda recente. Os juros negociados no mercado futuro da BM & F não destoaram do bom humor reinante em todos os segmentos. A primeira prévia do IGP-M de dezembro confirmou a tendência declinante da inflação.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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