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Análise: DI se protege contra surpresa do Copom

SÃO PAULO - Para o Brasil perder para a Hungria a liderança do ranking dos maiores pagadores de juros reais do mundo, o Copom do Banco Central terá de dar hoje um talho de três pontos percentuais na Selic. Se a taxa cair de uma vez só para 10,75%, prometerá juro de 5,7% acima da projeção do mercado para o IPCA do mesmo período.

Valor Online |

Só assim o juro real brasileiro ficaria atrás do da Hungria, de 5,8%, de acordo o ranking elaborado pela consultoria UP Trend. Ninguém acredita que um BC conservador como o comandado por Henrique Meirelles seria capaz de uma baixa desse tamanho. Mas se tornaram nos últimos dias corriqueiras as operações fechadas no mercado futuro de juros da BM & F destinadas a garantir proteção contra a possibilidade de o Copom surpreender hoje no início da noite, ao cabo da sua primeira reunião do ano, e anunciar um corte " audacioso e agressivo " de um ponto percentual.

As pesadas quedas registradas nos últimos dias pelos juros futuros refletem os negócios de compra de um contrato de determinado prazo e venda de outro com prazo diferente cujo objetivo é o de evitar que um começo mais vigoroso do ciclo de cortes da Selic imponha perdas à ala que não está secamente " vendida " em taxa no DI futuro. Parte dos players gosta de operar travada, cobrindo o risco de prejuízos decorrentes de uma decisão menos previsível da autoridade monetária. Mesmo depois da divulgação dos dados ( desabamento da produção industrial, feroz desemprego e deflação que afasta repasses cambiais aos preços) que sancionavam a adoção pelo Copom de uma atitude menos cautelosa e ortodoxa, a corrente que acreditava ser possível uma redução de 0,75 ponto, com a Selic cedendo de 13,75% para 13%, ainda considerava que se o BC se desviasse desta conduta seria mais provável que optasse por um recuo mais conservador de 0,50 ponto. Jamais escolheria o um ponto.

Esta certeza caiu por terra esta semana. Cresceu o número e a qualidade de instituições insuspeitas pelo seu conservadorismo - como o Credit Suisse, a Tendências Consultoria e o Departamento Econômico do Bradesco - que passou a defender o corte de um ponto. E se o Copom baixar a taxa hoje para 12,75%, as instituições que prevêem 0,50 ou 0,75 ponto não terão muitas perdas no DI por causa do travamento de posições. Se forem consideradas apenas as posições simples, sem trava, quando mais surpreendente for a ousadia do corte do Copom, mais ganharão os investidores estrangeiros e os fundos nacionais. São estes os principais players " vendidos " em taxa. São os aplicadores que apostam em uma baixa do juro maior do que a " precificada " na curva futura. Os hedge funds internacionais carregam posições " vendidas " equivalentes a R$ 76,85 bilhões, enquanto os fundos nacionais detêm R$ 13,9 bilhões. Os maiores " comprados " em taxa, os que torcem para que o Copom sustente a sinalização de baixa comedida de 0,25 ou, no máximo, 0,50 ponto, são os bancos nacionais, com posições de R$ 57,37 bilhões.

Os " vendidos " dominam completamente o DI futuro. O contrato mais negociado, para janeiro de 2010, recuou ontem de 11,36% para 11,24%. Apenas do início do ano para cá caiu quase um ponto, pois fechou 2009 em 12,19%. Todo dia surge um novo dado a ratificar o acerto das posições assumidas pelos " vendidos " . Ontem foi a vez da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo ela, o NUCI (nível de utilização da capacidade instalada) caiu de 82,6% em outubro para 81,6% em novembro. E o faturamento do setor recuou 7% sobre novembro do ano passado. Trata-se da primeira baixa na comparação anual desde dezembro de 2006.

A curva futura de juros está quase flat em 11,25% para as próximas três viradas de ano. Isso significa que, na quinta-feira, pouca coisa mudará s o Copom decidir hoje cortar a Selic em 0,75 ponto por unanimidade, sinalizando a intenção de persistir nesse mesmo ritmo. O mercado futuro projeta três corte de 0,75 ponto e um quarto de 0,25 ponto para encerrar o ciclo. A taxa voltaria aos mesmos 11,25% em que estava antes de o Copom iniciar o ciclo de alta, em abril do ano passado. Trata-se de um consenso provisório. Não se descarta uma decisão em sintonia com a expectativa de baixa de 0,75 ponto mas acompanhada por um placar divergente ou um comunicado pós-Copom indicando a intenção de aumentar a dose de corte para um ponto na próxima reunião, dia 11 de março.

Quanto mais os demais segmentos do mercado financeiro pioram para refletir a gravidade da crise global, mais aumenta a chance de o Copom cortar profundamente o juro. Ontem, dia da posse de Obama, o Dow Jones tombou 4,01%. E o dólar disparou no mundo inteiro. Aqui avançou 1,71%, a R$ 2,3720.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico )

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