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Análise: DI prevê choque curto de juros

SÃO PAULO - Os tesoureiros de bancos, maciçamente comprados em juros futuros, acertaram o resultado do Copom. Os economistas de instituições, que consensualmente defendiam a continuidade do ritmo de 0,50 ponto, perderam. As operações foram fechadas ontem no pregão de juros futuros da BM & F já vislumbrando a possibilidade de uma intensificação do aperto. As novas pesadas baixas registradas pelas commodities e pelo petróleo não foram suficientes para fazer o pregão desistir de esperar por uma ampliação do arrocho.

Valor Online |

O comportamento exibido pela curva futura de juros foi típico de quem apostava num endurecimento monetário. Caso contrário, não seria admissível o contraste entre as altas exibidas pelos contratos curtos e a queda experimentada pelos longos. Quem defende um choque de juros no presente enxerga taxas cadentes no futuro. Se isso não acontecer será porque a credibilidade do BC foi seriamente danificada. Mas o normal é que, em seguida a uma paulada monetária, ocorra uma distensão pelo fato de que, em tese, produz resultados mais eficazes que a via gradualista. O DI operou em respeito a esse raciocínio. E acertou.

O giro de negócios disparou ontem no DI da BM & F. Foram transacionados mais de 1,7 milhão de contratos, no valor de R$ 155 bilhões. O mais negociado foi o que vence na virada de setembro para outubro, ou seja, os players já estão de olho no resultado do próximo Copom, o de 10 de setembro. Todas as taxas curtas subiram. O CDI para outubro teve alta de 0,05 ponto, para 12,92%. A taxa para a virada do ano avançou de 13,50% para 13,52%. As taxas longas recuaram. O contrato para janeiro de 2010 perdeu 0,02 ponto, a 14,91%. Janeiro 11 emagreceu 0,08 ponto, agora a 14,82%. Se for tomada a taxa-piso das operações de crédito, o swap de 360 dias, que ontem ficou estável em 14,54%, não tem lógica alguma, a não ser a inerente ao caixa de curto prazo, a defesa do aperto suplementar.

Se a maior preocupação do BC é diminuir a demanda para que não haja a chance de as empresas repassarem os choques de commodities e petróleo para os preços finais dos seus produtos, não conseguirá fazer isso com a amplificação do arrocho presente pois este diminui o juro de longo prazo que demarca os empréstimos concedidos a essas empresas. E também aos consumidores finais. Alta da Selic de 0,75 ponto, ao reduzir o juro longo, estimula o crédito ao consumidor. Para esfriar a demanda, o BC precisa que os juros reais permaneçam em patamares elevados. Deveria insistir na estratégia gradualista, pois o o choque de juros comprime o juro real de longo prazo, já que, quanto mais intenso e concentrado for o choque, menor será a sua duração. Se a regra não for respeitada, o organismo econômico fenece e não precisará mais de um banco central.

Não faz sentido o BC redobrar agora o aperto num momento em que a bolha das commodities definha a céu aberto. O petróleo fechou ontem cotado a US$ 124,44 na Nymex, em baixa de 3,10%. Desde o recorde intraday de US$ 147,27 marcado no dia 11 o barril já rolou 15,5%. O índice CRB de 19 commodities - contratos futuros de petróleo, gasolina, gás natural, óleo para aquecimento, ouro, alumínio, níquel, prata, cobre, trigo, algodão, soja, açúcar, suco de laranja, cacau, milho, café, gado e suínos - caiu ontem 1,66% e 10,5% no mês.

Há vários fatores a explicar a queda das commodities. O imediato é o fortalecimento do dólar por causa dos acenos de aperto monetário a partir de setembro feitos pelo Federal Reserve (Fed). O mais recente visto pelos analistas foi dado ontem pelo Livro Bege. O dólar acompanhou aqui o movimento externo de alta. Fechou com valorização de 0,31%, cotado a R$ 1,5840. O principal fator vem de fundamento: a percepção de que as economias industrializadas vão passar por um momento prolongado de desaceleração no nível de atividade, pelo menos até o imbróglio do crédito podre ser expurgado de vez das carteiras dos bancos , diz o economista-chefe da Gradual Corretora, Pedro Paulo da Silveira.

Outro fator importante para a queda, sobretudo a do petróleo, é o efeito Barak Obama. O candidato democrata fez uma visita ao Oriente Médio, com escala em Bagdá, e, com ares de chefe de Estado, já apaziguou os ânimos na maior região exportadora de petróleo do mundo. Se eleito, fatalmente ele irá, na visão de Silveira, desmontar a doutrina Bush, e se aproximar mais do mundo islâmico. Isso por si só já tira do preço do barril um custo significativo. Há poucas semanas Israel e Irã trocaram farpas e geraram um forte estresse na região, com direito a demonstração de mísseis iranianos , diz o economista.

(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)

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